25/03/2020

Publicação d'O Amigo do Povo temporariamente suspensa

Por razões de saúde pública, a publicação d’O Amigo do Povo está suspensa por tempo indeterminado. Apesar de dispensados da sua tarefa, foram muitos os colectores que continuaram a fazer a distribuição do jornal, o que se torna extremamente perigoso nas circunstâncias actuais de pandemia.
Inicialmente, decidimos manter a publicação do jornal, embora dispensando os colectores da sua tarefa de distribuição. É verdade que, deste modo, o jornal chegaria apenas aos colectores e às pessoas que o recebem individualmente, mas, após falar com a nossa Administração, foi isto que foi inicialmente decido, porque concluímos que seria melhor o jornal ser publicado e chegar a poucos do que não chegar a ninguém.
Porém, ao concluir que estava a haver muitos colectores que se arriscavam, considerei mais prudente suspender temporariamente a publicação até que seja possível retomar a normalidade.
Outra razão que contribuiu para esta decisão é o facto de haver poucas notícias nesta altura em que as actividades da Igreja foram canceladas ou adiadas.
Para qualquer informação que seja necessário transmitir, usaremos o nosso site oficial ou a nossa página de Facebook. Recordo que estas páginas na Internet não substituem, apenas complementam a nossa edição em papel. E este é um momento em que este complemento se torna particularmente útil.
Em nome de toda a equipa, agradeço a compreensão de todos.

O Director
P. Orlando Guerra Henriques

16/03/2020

Colectores d'O Amigo em pausa

Os nossos colectores estão temporariamente dispensados de distribuir o jornal
Devido à actual epidemia de coronavírus, os colectores d’O Amigo do Povo estão dispensados de fazer a distribuição do nosso jornal até que passe esta crise. Não devem fazê-lo!
A pensar nos assinantes que o recebem individualmente e nos próprios colectores, O Amigo do Povo continuará a ser publicado, embora os colectores não o devam distribuir. Após falar com a nossa Administração (a Communis Missio, na pessoa do Padre Manuel Carvalheiro), decidi manter a publicação do jornal (enquanto tal for possível), mesmo que não seja possível fazê-lo chegar a todos os leitores, porque concluímos que, ainda assim, é melhor o jornal ser publicado e chegar a poucos do que não chegar a ninguém. No entanto, os colectores (pessoas que recebem os jornais de todo um grupo de leitores, aos quais distribuem os jornais todas as semanas) não devem expor-se ao risco de infecção com este novo vírus, tanto mais que muitos dos colectores são idosos, por isso não devem sair de casa para distribuir jornais.
Neste momento, todas as pessoas que puderem devem ficar em casa não devem sair a não ser para aquilo que for forçosamente necessário e permitido. Não devem sair à rua para distribuir jornais, e muito menos contactar directamente com pessoas.
Certamente, os leitores compreenderão. Se for oportuno, e se os leitores quiserem, os colectores podem ir guardando os jornais do seu grupo de leitores, para os dar depois todos juntos aos leitores que assim o desejem (até porque há quem goste de os guardar).
Peço e agradeço a todos que não se exponham ao perigo e que sigam as orientações oficiais de prevenção.
O Director:
P. Orlando Guerra Henriques

27/09/2019

A propósito do assassinato da Irª Maria Antónia

NOTA DA COMISSÃO NACIONAL JUSTIÇA E PAZ


A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem: a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.
(Santo Agostinho)

Assistimos, consternados, à notícia da violação e assassinato de uma religiosa em S. João da Madeira. Esta religiosa dedicava a sua vida ao serviço dos pobres e marginalizados. Este crime não se passou na Síria em guerra, ou no Iémen ou em outro país não-europeu em guerra. Foi entre nós, “dentro de portas”! A comunicação social abordou um pouco a medo este crime que não foi assunto de abertura dos telejornais. Por outro lado a lentidão e burocratização da justiça é-nos sobejamente conhecida: o mandato de detenção do criminoso não foi efectivado a tempo, apesar de uma tentativa de violação anterior. Estranhamente as organizações de mulheres e de apoio às vítimas de violência – doméstica ou outras  - pouco disseram. No entanto tratou-se de um cruel feminicídio. 
Constatamos que tem havido um silêncio penoso sobre este crime – salvo raras excepções – e perguntamos intimamente quais as razões deste silêncio: “lavamos as mãos” da nossa responsabilidade individual e colectiva, como fez Pilatos?
A irmã  Maria Antónia Pinho – da congregação das Servas de Maria Ministras dos Enfermos - estava ao serviço da Igreja Católica numa missão evangélica, implicada nas questões da Justiça e da Paz no seu contexto de acção. Ao serviço, também, da sociedade civil e dos mais marginalizados.
A CNJP (Comissão Nacional Justiça e Paz) – na sua missão de alertar os cristãos e a sociedade civil –, e solidária com a direcção da CIRP (Conferência dos Institutos Religiosos em Portugal) e da sua Comissão para a Justiça, Paz e Ecologia, quer lembrar aos homens e mulheres cristãos (e a todas os cidadãos de boa vontade) que a função de qualquer governo e das instituições da sociedade civil é estarem ao serviço dos cidadãos mais vulneráveis, ao serviço dos que não têm voz (dos “descartados da sociedade”, como afirma o Papa Francisco). Mas, simultaneamente,  devem estar ao serviço daqueles e daquelas que lutam pela justiça e fazem trabalho de promoção humana na solidariedade e na paz - como foi o caso do crime mencionado acima e que podia bem ter sido evitado. E devem fazê-lo sem qualquer discriminação por causa de opções religiosas, origem social, sexo ou orientação sexual, idade, raça ou cultura, e outras.
Devemos à irmã Maria Antónia Pinho e à sua congregação a nossa profunda solidariedade.
Lisboa, 19 de Setembro de 2019

21/10/2018

Estamos mesmo a evangelizar?

(Em Dia Mundial das Missões)

[…]
Porque é que falamos de valores cristãos e não de Jesus? […] Grande parte do trabalho que fazemos [na Igreja] é vão […]. O cristianismo reduzido a um humanismo, em que o homem está no centro [e não Deus], é um trabalho estéril, é só obra dos homens. […] Temos andado a anunciar “valores”, em vez de anunciar Jesus Cristo!
[…] desde então, fico sempre desconfiado quando ouço alguém a falar de valores […]
[…] pessoas que dizem «eu não preciso de ir à Missa para ser boa pessoa»; porque só os ensinámos a ser “boas pessoas”, não os ensinámos a ser cristãos. […]

Leia a totalidade deste texto na nossa edição em papel.

À SOMBRA DO CASTANHEIRO (21-10-2018)

— Estava a ver que hoje já não me vinhas visitar, Carlos!
— Desculpe-me, Tio Ambrósio! Quando saí de casa, logo depois do saboroso almoço que a Joana preparou para a família…
— Como sempre! A Joana é uma cozinheira de mão cheia! Acredita que já tenho saudades de degustar uma daquelas sopas de feijão inchado que ela faz como ninguém!
— Fica já convidado para o próximo domingo, Tio Ambrósio! Não posso garantir-lhe o inchaço do feijão, até porque desse mal sofrem muitos por aí, não sabendo se essa característica sobra para o feijão. Também lhe não garanto uma sopa de feijão-frade, porque este mundo está cheio de homens e mulheres de duas caras, de modos que não sei se ainda haverá feijão de duas caras. Mas, seja manteiga, seja catarino, seja preto, seja mesmo rajado, posso garantir-lhe que feijão não vai faltar para a sopa, ou mesmo para o prato principal, que a feijoada é outra das especialidades da Joana.
[...]

Leia a totalidade deste texto na nossa edição em papel.

08/10/2018

“Mandar” ou liderar?


Por vezes, penso que a palavra “mandar” deveria ser banida do nosso vocabulário da Igreja. Pode ser, quase sempre, substituída por outras palavras que dizem muito melhor o que é a missão de cada um na Igreja. […]
As Jornadas de Formação permanente da Diocese de Coimbra, nos passados dias 5 e 6 de Outubro, no Colégio de S. Teotónio, ajudaram a mudar estas perspectivas desfocadas: […] liderar, em vez de “mandar”.
[…] O modo de trabalhar colegial e sinodal não é só de agora, por haver menos padres: deve ser o nosso modo de estar, de ser Igreja.
[…] Delegar não significa perda de autoridade (pode ser, isso sim, perda de prestígio ou de protagonismo, que são coisas que [...]).
[…] que tipo de líder é Jesus? É um líder que […]
 A única vez que que Jesus afirma a Sua autoridade (no momento da Ascensão) é para a partilhar, enviando em missão.
[…] cada um já se deve sentir responsável mesmo antes de alguém lhe dizer o que é que tem que fazer; estar preocupado, não se desculpar que essa missão é para os outros; […]
[…] perante o erro, há 3 atitudes a tomar: não ficar em silêncio: não “apontar pistolas”; aplicar-se na tarefa.

Leia a reportagem completa na nossa edição em papel do próximo Domingo…

(na foto: Padre António Freitas fazendo a conferência sobre liderança)

07/10/2018

Palavra da salvação

[Eu não queria escrever este texto, não queria entrar em polémicas, não queria magoar ninguém. Mas a voz da minha consciência dizia-me que era inevitável publicar este texto, ou outro semelhante. Não dizer nada sobre isto seria fugir à realidade, coisa que nem um padre nem um jornalista podem fazer. Perante as recentes notícias sobre o assunto, e perante uma resposta tão clara da Palavra deste Domingo a essas notícias, fazer de conta que nada se está a passar não seria honesto.]


Depois de proclamar o Evangelho, o sacerdote (ou diácono) conclui dizendo «Palavra da salvação» e todo o povo responde «Glória a Vós, Senhor». É, no fundo, um acto de fé: é acreditar que aquelas palavras que escutámos não são umas palavras quaisquer, mas são Palavra de Deus; são norma para a nossa vida, porque é o próprio Deus que nos fala a cada um a partir das palavras que escutámos; cremos que são «Palavra da salvação» porque acreditamos que ouvi-las e pô-las em prática é qualquer coisa que nos cura em ordem à vida eterna.
Pode nem sempre ser fácil acreditar que esta Palavra é salvação e que tem essa dimensão curativa. A Palavra dá “trabalho” porque nos desafia, desinstala-nos da nossa zona de conforto para nos fazer sair e caminhar por um novo caminho: o da conversão. Por vezes, perante certas passagens mais difíceis de escutar, podemos ser como aqueles judeus, que, perante as palavras de Jesus, disseram «Estas palavras são duras! Quem pode escutá-las?» (cf. Jo 6, 60). Este Domingo, Jesus diz palavras que eu não me atreveria a dizer, pelo menos desta maneira: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério» (Mt 10, 11-12). Na verdade, torna-se doloroso dizê-lo quando temos pessoas amigas nessa situação.
No entanto, porque temos fé, cremos que alguma dimensão curativa esta Palavra há-de ter, por muito dolorosa que a sintamos à primeira vista. E, porque temos fé na Palavra, também acreditamos a melhor maneira de amar as pessoas não é iludi-las com mentiras. A tentação é precisamente essa: inventar soluções fáceis e "mágicas", dizer-lhes que está tudo bem e que podem continuar na mesma sem qualquer problema. Mas, das duas uma: ou pomos a Palavra de Deus no caixote do lixo; ou então deixamo-nos desafiar por Ela para procurar um novo caminho de conversão.
Pe. Orlando Henriques