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21/10/2018

Estamos mesmo a evangelizar?

(Em Dia Mundial das Missões)

[…]
Porque é que falamos de valores cristãos e não de Jesus? […] Grande parte do trabalho que fazemos [na Igreja] é vão […]. O cristianismo reduzido a um humanismo, em que o homem está no centro [e não Deus], é um trabalho estéril, é só obra dos homens. […] Temos andado a anunciar “valores”, em vez de anunciar Jesus Cristo!
[…] desde então, fico sempre desconfiado quando ouço alguém a falar de valores […]
[…] pessoas que dizem «eu não preciso de ir à Missa para ser boa pessoa»; porque só os ensinámos a ser “boas pessoas”, não os ensinámos a ser cristãos. […]

Leia a totalidade deste texto na nossa edição em papel.

07/10/2018

Palavra da salvação

[Eu não queria escrever este texto, não queria entrar em polémicas, não queria magoar ninguém. Mas a voz da minha consciência dizia-me que era inevitável publicar este texto, ou outro semelhante. Não dizer nada sobre isto seria fugir à realidade, coisa que nem um padre nem um jornalista podem fazer. Perante as recentes notícias sobre o assunto, e perante uma resposta tão clara da Palavra deste Domingo a essas notícias, fazer de conta que nada se está a passar não seria honesto.]


Depois de proclamar o Evangelho, o sacerdote (ou diácono) conclui dizendo «Palavra da salvação» e todo o povo responde «Glória a Vós, Senhor». É, no fundo, um acto de fé: é acreditar que aquelas palavras que escutámos não são umas palavras quaisquer, mas são Palavra de Deus; são norma para a nossa vida, porque é o próprio Deus que nos fala a cada um a partir das palavras que escutámos; cremos que são «Palavra da salvação» porque acreditamos que ouvi-las e pô-las em prática é qualquer coisa que nos cura em ordem à vida eterna.
Pode nem sempre ser fácil acreditar que esta Palavra é salvação e que tem essa dimensão curativa. A Palavra dá “trabalho” porque nos desafia, desinstala-nos da nossa zona de conforto para nos fazer sair e caminhar por um novo caminho: o da conversão. Por vezes, perante certas passagens mais difíceis de escutar, podemos ser como aqueles judeus, que, perante as palavras de Jesus, disseram «Estas palavras são duras! Quem pode escutá-las?» (cf. Jo 6, 60). Este Domingo, Jesus diz palavras que eu não me atreveria a dizer, pelo menos desta maneira: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério» (Mt 10, 11-12). Na verdade, torna-se doloroso dizê-lo quando temos pessoas amigas nessa situação.
No entanto, porque temos fé, cremos que alguma dimensão curativa esta Palavra há-de ter, por muito dolorosa que a sintamos à primeira vista. E, porque temos fé na Palavra, também acreditamos a melhor maneira de amar as pessoas não é iludi-las com mentiras. A tentação é precisamente essa: inventar soluções fáceis e "mágicas", dizer-lhes que está tudo bem e que podem continuar na mesma sem qualquer problema. Mas, das duas uma: ou pomos a Palavra de Deus no caixote do lixo; ou então deixamo-nos desafiar por Ela para procurar um novo caminho de conversão.
Pe. Orlando Henriques

28/09/2018

O que é a arte?

Anda uma polémica no museu de Serralves à volta de uma exposição de arte contemporânea com conteúdos de cariz pornográfico que, inclusivamente, tem uma parte vedada a menores de 18 anos.
... há muita coisa perfeitamente horrível a que podemos chamar arte porque, de facto, nos faz experimentar uma experiência estética; mas isso não quer dizer que a experiência seja boa...

Leia a totalidade deste texto na nossa edição em papel.

21/09/2018

À Igreja só há que agradecer

No Seminário, em Coimbra, tivemos, certa vez, uma formação dada por um engenheiro informático católico. Para sublinhar a importância das novas tecnologias na evangelização, dizia ele que, se Jesus tivesse nascido hoje, em vez de há 2000 anos, certamente teria usado a internet. Houve um seminarista que interrompeu: «Desculpe, mas se Ele tivesse vindo só agora, talvez nem sequer houvesse internet...

Leia o resto na nossa edição em papel.

02/08/2018

Precisa-se de boa música

A “música pimba” um dos factores que mais contribui para a diluição da identidade cristã das chamadas “festas religiosas” que proliferam por todo o país no Verão. É um género musical português que se caracteriza pela pobreza musical e, sobretudo, pela brejeirice dos trocadilhos sexuais. Para além do prejuízo cultural, destrói a acção pastoral: o que vai ficar no ouvido depois da festa não é a pregação da fé, mas as músicas que exaltam o adultério e o sexo antes do casamento. É isto que nós, a Igreja, andamos a promover em festas que (teoricamente) são organizadas por nós! «em honra de Nossa Senhora…», ou «em honra de [tal Santo]», dizem os cartazes. Claro que não somos nós que vamos impedir as pessoas de ouvir má música; mas é bastante grave sermos nós a promovê-la, ou, pelo menos, a permiti-la.
Penso que a Igreja podia criar uma espécie de “Serviço de Música Popular”, uma comissão de peritos que estudasse e aprovasse boa música, ao gosto popular, que não ofendesse os valores cristãos, para ser tocada em exclusivo nas nossas festas. Tenho a certeza que há-de haver música assim em quantidade suficiente para preencher bem toda uma festa sem repetições e com muito mais qualidade. Claro que, para isso, é preciso estar bem por dentro do assunto: conhecer canções e cantores, saber o que agrada ao povo… sem desagradar a Deus!
Ou então, por que não a Igreja desafiar alguns artistas populares a fazer música para as festas de acordo com estes critérios? Afinal, em todas as épocas, a Igreja sempre foi quem mais promoveu a evolução cultural e o progresso da civilização.
Padre Orlando Henriques

29/07/2018

Ovelhas sem pastor


«Vinde coMigo para um lugar isolado e descansai um pouco», disse Jesus aos Apóstolos, convidando a um tempo não tanto de férias, mas, mais propriamente, de retiro espiritual, de que todo o cristão necessita para se re-encontrar o Senhor.
Mas, daquela vez, o tempo de descanso de Jesus com os Apóstolos foi de pouca dura: logo ao desembarcar, «Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor». Esta multidão de ovelhas sem pastor é a nossa sociedade actual, que vive como se Deus não existisse, esgotando a vida de experiência em experiência, de aventura em aventura, na ânsia de se saciar, mas sem conseguir: porque nem sonham que a única fonte que sacia a sede de infinito é Deus, a Quem eles rejeitaram. Sem Pai do Céu, é uma sociedade “órfã”. Às vezes, ainda soa, lá no fundo, um resquício de Deus, umas recordações de infância… mas identidade está diluída. Não só a identidade cristã: qualquer identidade! Vivem-se vidas descartáveis: nas relações, muitos fazem do outro um descartável e, sem se aperceberem, fazem-se descartáveis também a si próprios; e depois, o vazio… É o domínio do relativismo: tudo é relativo: as ideias, as relações, os valores morais, que são construídos à medida das conveniências de cada um… Por isso a desorientação.
Esta sociedade desorientada de hoje é que é a multidão de «ovelhas sem pastor» de que Jesus, novamente, Se compadece. Sim, a atitude certa perante esta multidão não é a raiva nem a condenação fácil, mas sim a compaixão. Compaixão não é ter “pena”, não é desprezar, mas sim amar, ajudando a “sair do buraco”, como fez Jesus: «e começou a ensinar-lhes muitas coisas».
Padre Orlando Henriques

03/06/2018

É outra música

Na música, as dissonâncias também têm lugar. E não estou a falar dos desvarios de certa música contemporânea! Mesmo na música mais “clássica” e harmoniosa, por vezes, há certas notas de passagem que causam uma dissonância transitória que é imediatamente resolvida. Não se trata de fazer dissonâncias de qualquer maneira: objectivo é criar uma certa tensão que, ao ser resolvida, tem um resultado harmonioso. Aquilo que, à primeira vista, parecia ser um desacerto tolo produz um efeito delicioso. Os bons músicos, que conhecem bem a arte da harmonia, jogam com essas dissonâncias que são imediatamente resolvidas para dar sabor à música. Também é assim na nossa vida e na nossa fé. As dúvidas e as dificuldades fazem parte do percurso normal, mesmo que seja amargas e “dissonantes” enquanto o “acorde” não se concerta. Desejaríamos, talvez, não ter dúvidas de fé… Mas ter dúvidas é natural, o que é preciso é dar-lhes a volta por cima.  Embora a dúvida, em si mesma, seja um desacerto desconfortável, se for bem resolvida, no final a nossa fé torna-se mais forte, mais esclarecida, menos ingénua. Também com o sofrimento assim acontece. Na 2ª leitura de hoje, São Paulo diz palavras iluminadoras sobre esta nossa condição de cristãos na terra: somos oprimidos, mas não esmagados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados. Ou seja, Deus não nos livra do sofrimento, mas com a cruz de Cristo (que é a nossa glória!) o sofrimento ganha um sentido diferente. Deus é esse compositor genial que compôs a música que é a nossa vida, que também tem as suas “dissonâncias”. Cabe-nos a nós saber tocar essa música com arte e com alma. E tudo fará sentido no acorde final na vida eterna!
Padre Orlando Henriques

27/05/2018

Santíssima Trindade - nem podia ser de outra maneira!

Como entender o mistério da Santíssima Trindade? Um só Deus, mas três Pessoas! Três pessoas que não são três deuses, mas cada uma delas é Deus, e todas são Deus sem deixar de ser um único Deus! Parece confuso, mas tudo faz sentido se compreendermos que Deus é amor!
Faz sentido que Deus, Aquele que é o princípio de tudo, seja um só Deus, e não haja mais nenhum outro. Ele é o princípio de tudo, é o princípio sem princípio, por isso faz sentido que seja um só. Mas Aquele que criou esta “máquina” maravilhosa que é o universo e a colocou a trabalhar na perfeição como um relógio, não é apenas um “relojoeiro”: Ele é amor. Ora, o amor não é solitário: quem ama, ama alguém. Portanto, era necessário que houvesse alguém a quem Deus amasse desde o princípio.
Mas quem? Nem o ser humano nem criatura nenhuma existia desde o princípio: na eternidade sem começo, só Deus existia, porque só Ele é eterno. Além disso, não foi por necessidade de ter alguém a quem amar que Ele criou o ser humano (nem os anjos, nem nada do que existe); se nos criou foi porque quis, por dom amoroso totalmente gratuito, e não por necessidade.
Por isso, se Deus é amor, e se, desde a eternidade, não existia mais ninguém além de Deus, ninguém a quem Deus amasse, então é porque Deus tem de ser amor em Si mesmo, de forma absoluta (afinal, estamos a falar de Deus). Entendemos, então, que Deus seja, em Si mesmo, não uma Pessoa solitária, mas uma comunhão de três Pessoas, sem, no entanto, deixar de ser um só único Deus.
Podia parecer que não fazia sentido nenhum Deus ser três Pessoas e ser um só Deus; mas, se tivermos em conta que Deus é amor, percebemos que nem podia ser de outra maneira!
Nas nossas famílias, um pai é sempre mais velho do que o seu filho: o pai já existia antes de gerar o filho; no entanto, ele não existia enquanto pai, o pai só passa a ser pai a partir do momento em que há filho! O pai começa a existir “enquanto pai” ao mesmo tempo que o filho; ele já existia antes, mas não era pai.
Agora, imaginemos um pai que só existe enquanto pai… Alguém cuja essência fosse gerar, e que não pudesse existir senão enquanto gerador, ou seja, enquanto pai… É o que se passa na Santíssima Trindade: o Pai não existia antes do Filho, mas desde a eternidade sem começo (e até à eternidade sem fim) o Pai gera e o Filho é gerado; e o Espírito Santo é a união entre os dois. De tal modo que as três Pessoas divinas são igualmente eternas, da mesma “idade”. Só assim poderiam ser um só Deus.
O Espírito Santo é a união entre o Pai e o Filho, mas não é uma “união” abstracta: Ele é Pessoa! Ser pessoa não significa ter um corpo (como as pessoas humanas). Ser pessoa é: ser individual (é um, distingue-se dos outros); ter natureza racional; e viver em relação com outras pessoas. Atenção: o Espírito Santo não é nenhuma espécie de “mãe” na Santíssima Trindade!
Algumas imagens antigas pretendem representar a Santíssima Trindade: o Pai representado na figura de um venerável ancião de barbas (normalmente brancas), sentado num trono, a segurar a cruz onde está o Filho, e o Espírito Santo representado em figura de pomba, normalmente entre o Pai e o Filho… Porém, Deus é espírito, e o que é espírito não se pode ver, nem sequer tem uma figura que se possa representar.
Portanto, Deus Pai não é um velhinho de barbas brancas, como vemos nessas imagens. Essa é apenas uma forma que os artistas arranjaram para O poderem representar, mas a verdade é que Deus, pura e simplesmente, não tem figura nenhuma, pois é espírito. Não é por acaso que o Antigo Testamento proíbe fazer imagens de Deus: como Deus não tem figura que seja representável, qualquer imagem que se tentasse fazer d’Ele seria uma imagem errada, um ídolo. Por isso, as tais imagens da Santíssima Trindade são, normalmente, muito antigas: houve uma época em que se começaram a fazer, mas, depois, foram proibidas (ou, pelo menos, desaconselhadas), para evitar o engano em que podem induzir, ao representar O que é irrepresentável.
O Espírito Santo também não é uma pomba. Pode assumir essa figura para Se tornar visível, mas isso não quer dizer que seja essa a Sua figura. Quando é preciso, Ele torna-Se visível dessa maneira, mas também de outras, como línguas de fogo. O Espírito Santo nem é uma pomba nem é línguas de fogo: o facto de Ele aparecer tanto de uma forma como de outra, quer dizer, precisamente, que Ele não tem nem uma forma nem outra, mas apenas assumiu essas figuras quando foi necessário tornar-Se visível.
O mesmo não se pode dizer de Jesus Cristo: ao fazer-Se homem, encarnando no seio da Virgem Maria, Ele passa a ter uma figura visível (não tinha, mas passa a ter), pois é homem como nós, sem deixar de ser verdadeiro Deus. No tempo de Moisés, não era permitido fazer imagens de Deus porque Jesus ainda não tinha encarnado; mas a partir do momento em que Deus Se faz homem, passa a ter uma figura visível e já podemos representá-l’O, fazendo imagens de Jesus. No entanto, continuamos a não poder adorar essas imagens, pois são apenas imagens (só as veneramos; O que adoramos, isso sim, é o Santíssimo Sacramento, que não é apenas uma representação, mas é o próprio Jesus ali presente). Continuamos a não ter uma imagem de Deus Pai, mas Jesus, fazendo-Se homem e vindo até nós, torna-Se o rosto visível de Deus.
Padre Orlando Henriques

13/05/2018

A 13 de Maio...

Exactamente um ano depois do centenário das aparições de Fátima, vale a pena recordar (para viver!) a mensagem de penitência e oração (ou seja, de amor!) que Nossa Senhora nos trouxe e que não é mais do que uma actualização do Evangelho. 101 anos depois, a mensagem de Fátima não está velha: pelo contrário, ela é mais para os dias de hoje do que para 1917. Vejamos: só no ano 2000 é que foi revelada a terceira parte do “segredo de Fátima”. Portanto, se a mensagem só foi conhecida na totalidade há 18 anos, quer dizer que Fátima não é uma velharia do passado, mas uma profecia que se está hoje a concretizar. Na Sua Sabedoria, Deus semeou uma “semente” em 1917 que se tornou “árvore” ao longo do século XX, e hoje, mais do que nunca, estamos a colher os seus frutos. A mensagem de Fátima é mesmo para os nossos dias. Um dos pontos principais da mensagem é o terço diário: “rezem o terço todos os dias”, insiste Nossa Senhora em todas as aparições. Rezar o terço era uma prática mais usual naquele tempo do que hoje: já por aqui se vê que a mensagem de Fátima está muito mais actual para os dias de hoje do que para aquele tempo! Outro ponto essencial é a devoção ao Imaculado Coração de Maria, que se concretiza especialmente na devoção dos 5 primeiros sábados, que Nossa Senhora pediu: durante 5 meses seguidos, no primeiro sábado de cada mês, confessar-se, comungar, rezar o terço e meditar durante 15 minutos sobre os mistérios do rosário, tudo isto feito com a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria. O objectivo é claro: levar à conversão de vida, e à intimidade com Deus. Hoje é habitual muitos comungarem sem estarem preparados, sem se confessarem; e a oração de meditação também não faz parte dos hábitos diários de muita gente. Por isso, uma vez mais, vemos como a mensagem de Fátima é especialmente oportuna e urgente no nosso tempo.
Padre Orlando Henriques

22/04/2018

O rumo certo

A Semana das Vocações todos os anos é encerrada neste 4º Domingo do Tempo Pascal, “Domingo do Bom Pastor”. As vocações estão em crise neste mundo ocidental, mas florescem noutras latitudes. É que aqui as pessoas passaram a viver como se Deus não existisse. A crise das vocações não tem nada a ver com o celibato, mas sim com a crise da fé e das famílias. Há muitas pessoas que acham que o problema da falta de vocações se resolvia acabando com o celibato dos padres. É pura ilusão! Noutras confissões cristãs (protestantes, ortodoxos) em que os pastores se podem casar também há falta deles. Basta abrir os olhos e olhar para as nossas Missas dominicais: se há poucos jovens nas igrejas, como é que os há-de haver nos seminários? Só não vê quem não quer ver. As vocações sacerdotais não são as únicas vocações que existem: também há as vocações à vida religiosa e à vida consagrada de uma forma geral, vocações que são necessariamente celibatárias. Mesmo que o fim do celibato fosse solução para a falta de padres (que não é!), ficava, ainda, por resolver a falta de frades, freiras, leigos consagrados… Além disso, o matrimónio é também uma vocação e também ele está em crise! São cada vez menos os jovens que se casam: muitos optam por se casar apenas civilmente ou, simplesmente, juntarem-se e viverem maritalmente sem casar (já para não falar nos muitos casamentos que acabam por fracassar). A crise das vocações no matrimónio é tão grave como na vida consagrada. E ainda há quem ache que “havia mais padres se eles se pudessem casar” nesta sociedade em que os jovens já nem casar querem! Não, o problema é mais profundo: é defendendo a família e ajudando os jovens a caminhar na fé que se resolverá a crise de todas as vocações.
Padre Orlando Henriques

Bons ventos vêm de África

As vocações estão em crise no nosso meio, mas florescem noutras latitudes. É o caso de África. A Igreja africana sabe o que é sofrer, oprimida por ditaduras, fustigada por guerras e perseguida por terroristas… Mas a fé cristã e as vocações crescem! Enquanto isso, nós, na Europa, por vezes, vamos vivendo um cristianismo medíocre, em vez de nos concentrarmos no essencial.
É precisamente o que assinalam as recentes declarações de D. John Onaiyekan, Cardeal de Abuja, na Nigéria. À rádio pública austríaca ORF, disse que está admirado com o facto de a Igreja da Europa estar tão obcecada em dar a comunhão aos divorciados recasados, em vez de se preocupar com as suas igrejas que «estão cada vez mais vazias» (ao contrário das da Nigéria) e «muitas pessoas já não vêm».
Também o Cardeal Robert Sarah (natural da Guiné Conacri), no seu livro “Deus ou nada” (ed. Lucerna, Cascais 2016, pág. 333 a 336) diz que a questão dos recasados «não é um desafio urgente para as Igrejas de África ou da Ásia», mas «trata-se de uma obsessão de certas Igrejas ocidentais»; e que a Igreja de África se compromete «a manter inalterado o ensinamento de Deus e da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio».
É assim que Igreja africana permanece fiel à doutrina e fiel à verdade do matrimónio indissolúvel, enquanto nós andamos aqui perdidos em discussões estéreis e confusas. Não vemos os nossos irmãos africanos preocupados com estas questões: estão mais preocupados em manter a fé viva. Aliás, é a fé, constantemente provada pelo fogo, que os mantém firmes nas adversidades. Vozes proféticas dizem que África «é a grande esperança de Igreja».
Pe. Orlando Henriques

17/03/2018

Uma vocação frequente

Viver em continência (ou seja, abstendo-se de relações sexuais) é o modo de vida a que muitos cristãos são chamados: solteiros, viúvos, separados, celibatários, enfim, todos os que não sejam casados são chamados à castidade entendida enquanto continência sexual. Claro que os casados também são chamados à castidade, mas de forma diferente: vivendo as suas relações sexuais sempre num contexto de amor e de respeito de um pelo outro; e de abertura a nova vida, se o casal for fértil; isto para além do dever de ser fiel à pessoa com quem se casou, evidentemente. Por ser uma doação tão total e extrema, a relação sexual só faz sentido dentro do matrimónio, como expressão da entrega total que o matrimónio significa. Fora disso, não faz sentido; daí os mandamentos de Deus o proibirem.
Vem isto a propósito da recente polémica por causa do Cardeal Patriarca D. Manuel Clemente ter apontado a abstinência sexual como solução possível para os “recasados” poderem aceder aos sacramentos. Mas não é novidade: São João Paulo II, na Familiaris Consortio (n.º 84), já tinha proposto essa solução aos “recasados” cuja separação, por algum motivo grave, não fosse conveniente (sobretudo quando há novos filhos, nascidos dessa 2ª união). Ora, se D. Manuel Clemente disse algo correcto, já afirmado por São João Paulo II, não se percebe porque é que veio desculpar-se publicamente e admitir a possibilidade de reformular o documento.
Alguém me dirá que os “recasados” não têm vocação celibatária. Mas quem somos nós para dizer que não têm? Nas campanhas vocacionais que temos feito, sempre dissemos que Deus, quando chama alguém, normalmente não o faz directamente, mas serve-Se de pessoas e circunstâncias para chamar. Ora, se o casamento de alguém fracassa, se qualquer intimidade sexual com outra pessoa atenta contra o “primeiro” (único!) casamento (que é válido até prova em contrário) e se a Igreja convida à continência, porque é que não hão-de ser essas as circunstâncias de que Deus se pode servir para chamar alguém a uma vida “celibatária” num determinado momento da sua vida? Não é nenhum “fardo” diferente do dos solteiros, viúvos ou celibatários! Não é fácil? Não é para ninguém, mas… temos fé em Quem nos chama? Ou a mentalidade do mundo já nos fez desacreditar?
Pe. Orlando Henriques

16/03/2018

Profanação do Santíssimo Sacramento – Cristo novamente crucificado em Coimbra

Chegou à nossa redacção uma notícia consternadora. Segundo fonte ligada ao grupo de adoradores da igreja de São Tiago, na baixa de Coimbra (Praça do Comércio), aquela igreja foi assaltada esta semana, na noite de 12 para 13 de Março: os criminosos profanaram o sacrário e levaram a custódia com o Santíssimo Sacramento.

Desde Janeiro de 2013 que a igreja de São Tiago foi instituída como espaço de adoração eucarística com uma intenção bem determinada: pelas vocações sacerdotais. O horário da adoração é das 8h00 às 20h00, todos os dias da semana. A igreja está aberta a quem queira entrar, havendo uma escala de pessoas que asseguram a adoração todos os dias durante esse horário.

Este sacrilégio exige da nossa parte uma acção de reparação. É também nesse sentido que vai a mensagem do grupo de adoradores da igreja de São Tiago: «Unamo-nos em oração de reparação, em adoração na igreja de S. Tiago. Rezemos para que o Senhor perdoe e converta todos os pecadores.»

* * *

Ao saber da trágica notícia, não pude deixar de me lembrar das palavras de Jesus à Venerável Madre Maria do Lado, fundadora das Clarissas do Desagravo: na noite de 15 para 16 de Janeiro de 1630, também houve uma profanação do Santíssimo Sacramento na igreja de Santa Engrácia, em Lisboa; lá longe, no Louriçal, Maria de Brito estava em oração àquela hora e ouviu Jesus dizer-lhe: “Minha filha, compadece-te de Mim, que, neste momento, sou crucificado em Portugal”. De facto, a Paixão do Senhor continua hoje: nas profanações da Eucaristia; nas indiferenças; nas comunhões mal feitas; nos cristãos perseguidos pelo mundo…

Muitos dizem que Deus não existe por causa de haver injustiças, abusos, violência; mas casos de profanação como este mostram-nos que, afinal, o próprio Deus não está longe de nós nas horas de violência; pelo contrário, Ele próprio está sujeito aos abusos e violências. Já o Padre António Vieira, ao falar sobre a guerra, dizia: «e até Deus, nos templos e nos sacrários, não está seguro.» Da mesma forma que Ele Se deixou maltratar às mãos dos carrascos há 2 mil anos, também hoje Se continua a sujeitar a tudo isto, e sempre pelo mesmo motivo: por nosso amor! Para ficar connosco! Só a fé e o amor permitem compreender esta aparente impotência de Deus perante o mal.
Pe. Orlando Henriques

25/12/2017

Vale a pena esperar

Já sabemos que, para além do Natal do Senhor, há um outro natal em circulação por aí: o natal do comércio, das prendas, das frases “bonitas” mas sem Cristo, do “Pai Natal” e até dos hipopótamos (que sempre foram animais muito natalícios… ou então não). A única coincidência que estes dois natais têm entre si é o dia 25 de Dezembro: o natal paganizado acaba nesse dia e o Natal do Senhor começa nesse dia. O natal paganizado acaba nesse dia talvez por já não ter mais nada para vender: começa uma nova campanha comercial, os hipopótamos dão lugar à publicidade de artigos para a passagem de ano. O natal paganizado já nos cansa muito antes de meados de Dezembro, porque já desde o início de Novembro que nos enchem a cabeça com as músicas irritantes daqueles anúncios comerciais. Por isso, ao chegar o 25 de Dezembro, esse natal está estoirado, já deu o que tinha a dar; fica só o vazio, já passou…
E é então, quando o natal paganizado se vai calando, que estão reunidas as melhores condições de silêncio para começar o verdadeiro Natal, o de Cristo: tantas belas festas natalícias que se prolongam na liturgia ano novo adentro! Um tempo belo para contemplar Deus feito Menino. Enquanto o mundo vive o natal comercial (esgotado antes do dia, como fruto colhido antes de estar maduro), os cristãos vivem a conversão e a esperança vigilante do Advento. Porque o Natal não é para ser “consumido”: as coisas importantes esperam-se e preparam-se interiormente com antecedência. Como os noivos castos que esperam o dia do casamento para, então, viverem como casados; como a grávida que espera com alegria o nascimento do seu bebé; como o seminarista que vai amadurecendo a vocação; como o amigo que aguarda feliz a chegada do seu amigo… Assim é o Advento, que nos vai enfeitando o coração para a festa que se prolonga e deixa sabor.
Pe. Orlando Henriques

25/10/2017

Em vez de halloween: Holywins!

“Halloween” significa qualquer coisa como “noite de todos [os Santos]” (a noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro), mas não passa de uma comemoração pagã da bruxaria e do satanismo, diluída, porém, numa espécie de carnaval de mau gosto em que crianças e jovens são convidados a disfarçarem-se se fantasmas, bruxas e outros personagens da feitiçaria e do mundo do terror e da morte (como se fosse uma coisa muito “fofinha”…). É a “noite das bruxas”, algo que deveria repugnar a qualquer católico. O cristão celebra o triunfo da Vida, e não o culto da morte.
Depois de tantos séculos de evangelização, o paganismo sobrevive por aí, em todas as manifestações de superstição, bruxaria, ocultismo, etc.. É impossível ser católico e aderir a essas formas de paganismo: tal como a água não se mistura com o azeite, não há reconciliação possível entre as trevas e a luz. Celebrar o halloween, de facto, não é para nós.
Para devolver o verdadeiro sentido ao dia de Todos os Santos, há dioceses e grupos católicos que começam a pôr em acção outra iniciativa por estes dias: em vez de halloween, celebram um “Holywins”. Holywins significa “a santidade vence”. É uma iniciativa em que os participantes fazem várias actividades vestidos de Santos (podendo escolher o seu Santo favorito), em vez de se disfarçarem de bruxas e lobisomens. É celebrar a vida em vez da morte, a vitória da luz sobre as trevas. E é um convite a conhecer melhor as vidas dos Santos, heróis da fé, heróis da vida real muito mais fascinantes do qualquer super-herói de qualquer filme ou desenho animado. Fica a dica…
Pe. Orlando Henriques

Afinal, o que é uma ultreia?

(22-10-2017)
Conforme noticiámos, o Movimento dos Cursilhos de Cristandade celebrou a sua Ultreia Diocesana no passado dia 5 de Outubro, em Ferreira do Zêzere. É natural que alguns leitores possam ter ficado a interrogar-se: mas, afinal, o que é uma ultreia?
“Ultreia” ou “ultreya” (que vem de: ultra + eia!) significa “mais além”. Era o antigo grito com que se punham a caminho os peregrinos que peregrinavam para os lugares santos, encorajando-se uns aos outros a enfrentar as dificuldades do caminho.
Os que fizeram um Curso de Cristandade viveram três dias muito intensos e, agora, continuam a peregrinar no quarto dia, um “quarto dia” que é todo o resto da sua vida. E para que o entusiasmo não arrefeça, muitos deles continuam a encontrar-se para se animarem uns aos outros, num ambiente de fé, amizade e de partilha. Esses encontros são feitos em pequenos grupos de amigos, mas, de vez em quando, esses vários grupos encontram-se todos para fazer uma grande reunião de grupos, num ambiente de festa como só os cursistas sabem fazer! Essa grande festa é que é a ultreia. Através dos testemunhos, da animação e da oração, em especial a Eucaristia, renova-se o encontro com Cristo e a força para continuar a peregrinação no quarto dia.
Convido todos os leitores a unirem-se em oração à equipa que já está a trabalhar na preparação dos próximos Cursos de Cristandade da nossa Diocese.
Pe. Orlando Henriques

Que seca!

(15-10-2017)
Por muito que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diga que a o aquecimento global é um mito, por muito que as suas campanhas digam que as emissões de carbono nada têm de mal (porque, alegam eles, o carbono também faz parte da natureza), verdade é que este “Verão retardado” que não nos dá tréguas mostra bem que a poluição está mesmo a alterar o clima. Em pleno Outubro com temperaturas acima dos 30 graus? Com incêndios tão violentos como em Agosto? O rio Ceira está sem água no concelho da Pampilhosa da Serra: as formigas podem, se quiserem, atravessar o rio, sobre o cascalho seco. Isto só pode ser mau. Mas ainda ouvimos locutores a anunciarem que “vai estar bom tempo” com uma boa disposição ignorante, com a mesma ignorância das pessoas que se aborrecem com os poucos dias de chuva que ainda temos no ano.
Deus pôs o homem no mundo “para o guardar e cultivar”, continuando a obra da criação de Deus; para dominar a criação; mas não para a destruir! Os crimes do mundo são enormes. Acumulámos pecados que chegam até ao céu, esse céu que agora se nos fecha, negando a bênção da chuva; porque o mundo preferiu o lucro e nada ligou aos avisos de que a poluição ia alterar o clima e tornar-nos a vida penosa. Os acordos internacionais são uma hipocrisia: ninguém os cumpre.
E nenhum de nós se pode pôr de fora deste crime colectivo, pois todos temos as mãos manchadas de petróleo: quer tenhamos carro quer andemos no carro de outros, qualquer deslocação que façamos, seja em trabalho ou em lazer, implica queimar combustível, emitir gazes que provocam efeito de estufa no planeta; os artefactos que compramos foram produzidos à custa da poluição das fábricas; até uma simples peça de fruta queimou gasóleo para chegar à prateleira de supermercado onde a compramos. Eu e tu também fazemos parte do problema, não são só os outros, nem só os políticos. Não, se o tempo está trocado não é culpa de “astronautas” que “andam lá em cima a mexer”; a culpa é minha e tua.
Quando subo aos altos das serras da Pampilhosa (as mais altas da nossa Diocese), vejo, por trás da serra do Lorvão, uma névoa escura ao longo de toda a linha litoral. Do cimo do Colcurinho vê-se bem uma névoa parecida a acompanhar de perto a cordilheira do Caramulo, conforme o percurso da A25), que se torna assustadoramente maior sobre a cidade de Viseu.
Por outro lado, também é certo que não temos grandes alternativas: onde estão os meios alternativos para vivermos a vida de hoje sem poluirmos? Até lá, a destruição vai continuar a avançar de forma irreversível, e vamos senti-la na pele. Que Deus tenha misericórdia de nós!

Pe. Orlando Henriques

08/10/2017

Cuidado: a ideologia de género está aí!...

Deus criou o ser humano sexuado: existimos como homem ou como mulher, diferentes fisicamente, mas também psicologicamente, espiritualmente… embora complementares! Não é um mal que homem e mulher tenham papéis diferentes: é uma grande riqueza, porque se completam, cada qual com as suas riquezas, para o bem um do outro, dos filhos e da sociedade.
A chamada “ideologia de género” é uma teoria que, basicamente, diz que não há “homem” nem “mulher”, isto é, que não há ser masculino nem ser feminino: diz que cada pessoa pode decidir ser “homem” ou “mulher” independentemente do corpo com que nasceu; e que os papéis masculinos e femininos são uma invenção da sociedade. É esta doutrina que está na base de todas as aberrações que se cometeram (e estão a tentar cometer) contra a família: os “casamentos” homossexuais, a adopção de crianças por “casais” gays, o transexualismo, etc.. A ideologia de género vai contra realidades tão claras e evidentes como a biologia do nosso corpo sexuado (ou masculino ou feminino) e a psicologia que é diferente no homem e na mulher. É uma teoria que rouba a paternidade ao homem e a maternidade à mulher, dizendo que isso são papéis inventados pela sociedade. Esses “iluminados” atrevem-se a contradizer a própria natureza! Embora só as mulheres possam ficar grávidas e amamentar as crianças, insistem em dizer que o papel de mãe foi arbitrariamente atribuído às mulheres.
São estas ideias mirabolantes que têm fermentado na Assembleia da República nas últimas semanas, onde se tentam legalizar as mais delirantes propostas. E o caso é sério, porque são as crianças que estão em perigo: os teóricos desta doutrina aberrante não descansam enquanto a ideologia de género não for infundida às nossas crianças desde a creche… Sob o nome de “educação” sexual, a ideologia de género prepara-se para entrar na escola, sexualizando e desequilibrando as crianças desde a mais tenra idade.
Pe. Orlando Henriques

01/10/2017

Um novo Lepanto

A ameaça islâmica na Europa não é só de agora… O terrorismo da jihad ameaçou a Europa praticamente desde o seu início e foi combatido, travado e expulso ao longo de muitos séculos em diversos lugares da Europa (inclusivamente nas nossas terras!).
A 7 de Outubro de 1571 travou-se a famosa batalha do Lepanto, uma batalha naval ao largo da Grécia que afastou a ameaça islâmica da Europa de forma decisiva e por muito tempo. Graças aos contactos feitos pelo Papa São Pio V, vários reinos cristãos da Europa (alguns deles inimigos entre si!) uniram-se para fazer frente aos turcos, cujo avanço conseguiram travar nessa batalha, impedindo-os de invadir na Europa. Foi assim que a Europa pôde continuar a ser Europa até hoje, com a sua cultura e a sua fé, e não com a ditadura terrorista de um califado.
Ainda hoje, no aniversário dessa batalha (7 de Outubro), a Igreja comemora Nossa Senhora do Rosário, tornando-se Outubro o mês do Rosário. Isto porque a vitória foi atribuída não apenas à força das armas, mas, principalmente, a Nossa Senhora e à força da oração do Rosário! O Papa Pio V convocou todos os cristãos para rezar o Rosário e fazer jejum e penitência, e houve a plena consciência de que foi graças a Nossa Senhora, através da oração do Rosário, que a batalha foi vencida.
Hoje, com os terroristas islâmicos a atacar já dentro da Europa, faz-nos falta voltar a confiar na Mãe do Céu. Estamos num novo Lepanto: há que aprender com os antigos. Mas, hoje, temos uma dificuldade talvez maior do que no século XVI: convocar as pessoas para a oração. A Revolução Francesa, que se espalhou a todo o mundo ocidental (e, de certo, continua até hoje em vigor), primou pela perseguição à Igreja. Será possível colocar esta Europa novamente a rezar à Mãe do Céu neste momento em que só Ela lhe pode valer? Sim, creio que, pelo menos o “resto de Israel” que sobra nesta velha e decadente Europa há-de pegar no Terço sabendo que ele será, hoje, tal como ontem, a grande arma que vai vencer a jihad, uma vez mais.
Pe. Orlando Henriques

24/09/2017

Católicos mostram o que valem

No passado mês de Agosto, no Brasil, foi aberta ao público no Santander Cultural, em Porto Alegre (RS), uma exposição de mamarrachos nojentos a que alguém decidiu chamar “arte” (certamente a insultar a nossa inteligência): a exposição “Queermuseu – Cartografia da Diferença na Arte Brasileira”, com 270 obras que, segundo o Santander Cultural, pretendiam abordar “questões de género e diferença”, mas que, na verdade, não passavam de imagens repugnantes de pornografia, pedofilia e zoofilia, para além de blasfemarem contra a fé cristã profanando símbolos religiosos. Uma exposição aberta ao público infantil e financiada com dinheiros públicos!
Mas a boa notícia é que a exposição blasfema (que era para durar até Outubro) foi encerrada no passado dia 10 de Setembro, depois de uma enorme mobilização dos católicos brasileiros que se revoltaram à séria: enviaram reclamações, encheram as redes sociais de protestos e muitos cancelaram as suas contas no Santander, o que fez a instituição financeira tremer, pedir desculpas e encerrar a exposição. E já está em marcha uma nova mobilização na internet para obrigar o Santander a reparar os danos causados, financiando instituições de apoio aos cristãos perseguidos.
A lição que temos a aprender dos nossos irmãos brasileiros é que não nos podemos calar diante do mal. Se nos calamos e não nos unimos, os agentes do inferno continuam tranquilamente a devastar o mundo. Mas se nos unirmos e nos manifestarmos sem medos, juntando a isto a perseverança na oração, até o diabo foge!
Pe. Orlando Henriques