27/09/2019

A propósito do assassinato da Irª Maria Antónia

NOTA DA COMISSÃO NACIONAL JUSTIÇA E PAZ


A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem: a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.
(Santo Agostinho)

Assistimos, consternados, à notícia da violação e assassinato de uma religiosa em S. João da Madeira. Esta religiosa dedicava a sua vida ao serviço dos pobres e marginalizados. Este crime não se passou na Síria em guerra, ou no Iémen ou em outro país não-europeu em guerra. Foi entre nós, “dentro de portas”! A comunicação social abordou um pouco a medo este crime que não foi assunto de abertura dos telejornais. Por outro lado a lentidão e burocratização da justiça é-nos sobejamente conhecida: o mandato de detenção do criminoso não foi efectivado a tempo, apesar de uma tentativa de violação anterior. Estranhamente as organizações de mulheres e de apoio às vítimas de violência – doméstica ou outras  - pouco disseram. No entanto tratou-se de um cruel feminicídio. 
Constatamos que tem havido um silêncio penoso sobre este crime – salvo raras excepções – e perguntamos intimamente quais as razões deste silêncio: “lavamos as mãos” da nossa responsabilidade individual e colectiva, como fez Pilatos?
A irmã  Maria Antónia Pinho – da congregação das Servas de Maria Ministras dos Enfermos - estava ao serviço da Igreja Católica numa missão evangélica, implicada nas questões da Justiça e da Paz no seu contexto de acção. Ao serviço, também, da sociedade civil e dos mais marginalizados.
A CNJP (Comissão Nacional Justiça e Paz) – na sua missão de alertar os cristãos e a sociedade civil –, e solidária com a direcção da CIRP (Conferência dos Institutos Religiosos em Portugal) e da sua Comissão para a Justiça, Paz e Ecologia, quer lembrar aos homens e mulheres cristãos (e a todas os cidadãos de boa vontade) que a função de qualquer governo e das instituições da sociedade civil é estarem ao serviço dos cidadãos mais vulneráveis, ao serviço dos que não têm voz (dos “descartados da sociedade”, como afirma o Papa Francisco). Mas, simultaneamente,  devem estar ao serviço daqueles e daquelas que lutam pela justiça e fazem trabalho de promoção humana na solidariedade e na paz - como foi o caso do crime mencionado acima e que podia bem ter sido evitado. E devem fazê-lo sem qualquer discriminação por causa de opções religiosas, origem social, sexo ou orientação sexual, idade, raça ou cultura, e outras.
Devemos à irmã Maria Antónia Pinho e à sua congregação a nossa profunda solidariedade.
Lisboa, 19 de Setembro de 2019

14/07/2019

La corruzione in mezzo a noi

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Recenti dichiarazioni dell'ex Procuratora Generale della Repubblica Joana Marques Vidal in un'intervista sul Rádio Renascença sono state controverse: "Ci sono, in effetti, alcune reti che hanno catturato lo Stato e che usano l'apparato statale per la pratica di atti illeciti".
Nulla che ci sorprenda, ma è importante riflettere sulla questione, in un momento in cui anche noi riceviamo molte notizie di corruzione a livello di autorità locali. È importante notare come la corruzione sia diffusa: è proprio in mezzo a noi! E inizia su piccola scala, perché la corruzione non avviene solo quando uno dei "grandi" devia milioni: quando un semplice cittadino usa una conoscenza attraverso un amico o "padrino", anche questo è corruzione.
Non c'è da stupirsi che i grandi siano corrotti, perché, tante volte, i più piccoli sono anche così. È che i "grandi" sono della stessa massa di noi, l'unica differenza è la portata di mano: i grandi rubano milioni perché possono; e i piccoli rubano solo centesimi perché non possono più. Così si realizza il Vangelo: chi non è fedele nel piccolo non è fedele in molto.
P. Orlando Henriques

16/06/2019

The Holy Trinity and the Church

[leia este artigo em português na nossa edição em papel]

This Sunday after Pentecost, we celebrate the Solemnity of the Most Holy Trinity. For the Diocese of Coimbra, this Sunday is also the Diocesan Church Day. All dioceses have a day like this, in which they celebrate the fact that they are a portion of the people of God who live their faith in a specific territory (the diocese) with their bishop as head. In the Diocese of Coimbra, since some decades this was the day chosen to celebrate this "being Church". The reason for associating the diocesan Church with the Holy Trinity is easy to understand: we Christians (whether in Coimbra or in another diocese) we are called to be a Church in the image of the Most Holy Trinity. Just as among the three Persons of the Holy Trinity there is unity and charity, so we Christians must be united. Jesus, at the Last Supper, prayed to the Father for us, asking: "May they be one, as We are One". We are called to be "one" in a unity of faith and charity. Unity of faith, believing all in the same, in the same faith that was transmitted to us from the beginning as teaching of the original and authentic Church (without letting ourselves be led astray by strange doctrines or certain novelties that are, sometimes, only the fruit of human boasting). And unity in charity, bearing in mind the Christian meaning of the word “charity”: even if the world misunderstands the word, for us Christians, charity means love. Not a any love, but that love of communion that exists in God. The Holy Spirit is the union between the Father and the Son (but not an abstract union, because He is Person), so we also call Him the Spirit of Charity. Therefore, not surprise we celebrate the Holy Trinity on the Sunday just after Pentecost. It is the Holy Spirit who builds among us the unity of the Church, leading us to believe the same faith and to live the same communion of love.
Fr. Orlando Guerra Henriques

26/05/2019

Feminist Clericalism

That women cannot be ordained priests is something that with St. John Paul II was clarified and definitively closed. But in relation to the diaconal ordination, the subject was not so clear. For this reason, Pope Francis constituted a commission to study the case: could women be ordained deacons? The New Testament and the history of the Church speak of women deacons, or deaconesses, but, despite that name, it is not clear whether they were considered clergywomen, such as deacons, or laywomen. Some say it was a true degree of the sacrament of order attributed to women; and there are those who say that no, that they were lay-women who performed some of services proper the deacons only for practical reasons (for example, it was deaconesses who baptized women, as a matter of pudor, cause the baptism was by emersion). Given this scenario, and cause the commission was inconclusive, Pope Francis does not want to advance for the ordination of women deacons.
This prudent and wise decision by the Pope is generating a disproportionate reaction in Germany, with many women goings on "strike" absenting at Sunday Mass: they gather at hour of Mass outside the churches demanding the ordination of women, among other revindications of "greater equality "in the Church. Voluntarily abstaining from Sunday mass is a mortal sin, so it is not a way to protest for a conscious Christian, man or woman. In addition, it is not becoming clerics that women will play a more important role in the Church. The woman should be present, yes, in the pastoral councils and other organs where the life of the Church is decided. It is not because they are not ordained that they are less important; if they are present in these decision-making bodies, their active and co-responsible participation is ensured. The Second Council Vatican brought a greater awareness that lay people (and, therefore, women) are also Church, not passive bystanders.
The Pope has pointed to clericalism as one of the great problems of the Church. Now, behind this strike is a clericalist mentality, which thinks that being lay (or laywoman) is a thing of the least; and they think this because they think that the priests are "the bosses" in the Church; and they want “to boss" too! They have not yet realized that in the Church it is not a matter of "to boss", but rather of serving, "as the Son of man, that was came to serve and to give life." The sacrament of order depends on the vocation, it is not an honour that someone takes for himself! This is not a right! The most important person in the Church, subsequently of Jesus, is Mary; even without being a priestess or deaconess.
Fr. Orlando Guerra Henriques

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21/10/2018

Estamos mesmo a evangelizar?

(Em Dia Mundial das Missões)

[…]
Porque é que falamos de valores cristãos e não de Jesus? […] Grande parte do trabalho que fazemos [na Igreja] é vão […]. O cristianismo reduzido a um humanismo, em que o homem está no centro [e não Deus], é um trabalho estéril, é só obra dos homens. […] Temos andado a anunciar “valores”, em vez de anunciar Jesus Cristo!
[…] desde então, fico sempre desconfiado quando ouço alguém a falar de valores […]
[…] pessoas que dizem «eu não preciso de ir à Missa para ser boa pessoa»; porque só os ensinámos a ser “boas pessoas”, não os ensinámos a ser cristãos. […]

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À SOMBRA DO CASTANHEIRO (21-10-2018)

— Estava a ver que hoje já não me vinhas visitar, Carlos!
— Desculpe-me, Tio Ambrósio! Quando saí de casa, logo depois do saboroso almoço que a Joana preparou para a família…
— Como sempre! A Joana é uma cozinheira de mão cheia! Acredita que já tenho saudades de degustar uma daquelas sopas de feijão inchado que ela faz como ninguém!
— Fica já convidado para o próximo domingo, Tio Ambrósio! Não posso garantir-lhe o inchaço do feijão, até porque desse mal sofrem muitos por aí, não sabendo se essa característica sobra para o feijão. Também lhe não garanto uma sopa de feijão-frade, porque este mundo está cheio de homens e mulheres de duas caras, de modos que não sei se ainda haverá feijão de duas caras. Mas, seja manteiga, seja catarino, seja preto, seja mesmo rajado, posso garantir-lhe que feijão não vai faltar para a sopa, ou mesmo para o prato principal, que a feijoada é outra das especialidades da Joana.
[...]

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08/10/2018

“Mandar” ou liderar?


Por vezes, penso que a palavra “mandar” deveria ser banida do nosso vocabulário da Igreja. Pode ser, quase sempre, substituída por outras palavras que dizem muito melhor o que é a missão de cada um na Igreja. […]
As Jornadas de Formação permanente da Diocese de Coimbra, nos passados dias 5 e 6 de Outubro, no Colégio de S. Teotónio, ajudaram a mudar estas perspectivas desfocadas: […] liderar, em vez de “mandar”.
[…] O modo de trabalhar colegial e sinodal não é só de agora, por haver menos padres: deve ser o nosso modo de estar, de ser Igreja.
[…] Delegar não significa perda de autoridade (pode ser, isso sim, perda de prestígio ou de protagonismo, que são coisas que [...]).
[…] que tipo de líder é Jesus? É um líder que […]
 A única vez que que Jesus afirma a Sua autoridade (no momento da Ascensão) é para a partilhar, enviando em missão.
[…] cada um já se deve sentir responsável mesmo antes de alguém lhe dizer o que é que tem que fazer; estar preocupado, não se desculpar que essa missão é para os outros; […]
[…] perante o erro, há 3 atitudes a tomar: não ficar em silêncio: não “apontar pistolas”; aplicar-se na tarefa.

Leia a reportagem completa na nossa edição em papel do próximo Domingo…

(na foto: Padre António Freitas fazendo a conferência sobre liderança)