02/08/2018

Precisa-se de boa música

A “música pimba” um dos factores que mais contribui para a diluição da identidade cristã das chamadas “festas religiosas” que proliferam por todo o país no Verão. É um género musical português que se caracteriza pela pobreza musical e, sobretudo, pela brejeirice dos trocadilhos sexuais. Para além do prejuízo cultural, destrói a acção pastoral: o que vai ficar no ouvido depois da festa não é a pregação da fé, mas as músicas que exaltam o adultério e o sexo antes do casamento. É isto que nós, a Igreja, andamos a promover em festas que (teoricamente) são organizadas por nós! «em honra de Nossa Senhora…», ou «em honra de [tal Santo]», dizem os cartazes. Claro que não somos nós que vamos impedir as pessoas de ouvir má música; mas é bastante grave sermos nós a promovê-la, ou, pelo menos, a permiti-la.
Penso que a Igreja podia criar uma espécie de “Serviço de Música Popular”, uma comissão de peritos que estudasse e aprovasse boa música, ao gosto popular, que não ofendesse os valores cristãos, para ser tocada em exclusivo nas nossas festas. Tenho a certeza que há-de haver música assim em quantidade suficiente para preencher bem toda uma festa sem repetições e com muito mais qualidade. Claro que, para isso, é preciso estar bem por dentro do assunto: conhecer canções e cantores, saber o que agrada ao povo… sem desagradar a Deus!
Ou então, por que não a Igreja desafiar alguns artistas populares a fazer música para as festas de acordo com estes critérios? Afinal, em todas as épocas, a Igreja sempre foi quem mais promoveu a evolução cultural e o progresso da civilização.
Padre Orlando Henriques

31/07/2018

Nomeações do 2018-2019

Dom Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra, publicou hoje mesmo as nomeações do clero para o próximo ano pastoral: 

DIOCESE DE COIMBRA
NOMEAÇÕES 2018-2019

ARCIPRESTADO DO ALTO MONDEGO

P. António Mendes Antunes – é dispensado da missão de pároco de Arrifana, Lavegadas, Santo André e São Miguel de Poiares.

P. Pedro Jorge Silva Simões – é nomeado pároco de Lavegadas, Arrifana, Poiares e Santo André de Poiares, continuando pároco de Cadafaz, Colmeal, Góis e Vila Nova do Ceira.

Diác. Manuel Cabral Henriques Lopes – é nomeado colaborador do P. Pedro Jorge Silva Simões, nas paróquias de Lavegadas, Arrifana, São Miguel e Santo André de Poiares, Cadafaz, Colmeal, Góis e Vila Nova do Ceira.

ARCIPRESTADO DO BAIXO MONDEGO

P. Jorge Miguel Santos Carvalho – é nomeado pároco de Alfarelos, Brunhós, Figueiró do Campo, Granja do Ulmeiro e Vila Nova de Anços.

Diác. Carlos Alberto Martinho da Silva – é nomeado colaborador do P. João Octávio Brasil de Andrade Pereira nas paróquias de Arazede, Gatões, Liceia e Seixo de Gatões.

ARCIPRESTADO DE CANTANHEDE

P. Vidal Augusto André Nogueira – é nomeado pároco de Bolho, Cordinhã, Murtede, Ourentã e Sepins.

P. Diamantino da Cruz Vieira – é nomeado pároco de Cadima, continuando pároco de Sanguinheira e Tocha; é dispensado da missão de pároco de Bom Sucesso.

ARCIPRESTADO DE CHÃO DE COUCE

P. Manuel Ventura Pinho – é dispensado da missão de pároco de Ansião e Cumeeira.

P. João Fernando Marques Dias – é nomeado pároco de Alvorge, Ansião, Degracias, Lagarteira, Pombalinho, Santiago da Guarda e Torre de Vale Todos.

P. Joaquim David – é nomeado vigário paroquial de Alvorge, Ansião, Degracias, Lagarteira, Pombalinho, Santiago da Guarda e Torre de Vale Todos.

Diác. João Nuno Frade Marques Castelhano – é nomeado colaborador do P. João Fernando Marques Dias, nas paróquias de Alvorge, Ansião, Degracias, Lagarteira, Pombalinho, Santiago da Guarda e Torre de Vale Todos.

P. António Coelho de Carvalho – é dispensado da missão de pároco de Pombalinho e é nomeado pároco de Cumeeira, continuando pároco de Espinhal, Santa Eufémia e São Miguel de Penela, Podentes e Rabaçal.

ARCIPRESTADO DE COIMBRA NORTE

P. Rodolfo Santos Oliveira Leite – é nomeado pároco de Barcouço, continuando pároco de Casal Comba, Mealhada, Vacariça e Ventosa do Bairro.

Diác. José Simões Laranjeira – é nomeado colaborador do P. Rodolfo Santos Oliveira Leite nas paróquias de Barcouço, Casal Comba, Mealhada, Vacariça e Ventosa do Bairro e do P. Carlos Alberto da Graça Godinho nas paróquias de Luso e Pampilhosa.

P. Manuel de Jesus – é nomeado pároco de Vil de Matos, continuando pároco de Ançã, Curato de São Facundo, São João do Campo e Antuzede.

P. Afonso Makiadi dos Santos – é nomeado vigário paroquial de Ançã, Antuzede, Curato de São Facundo, São João do Campo e Vil de Matos.

ARCIPRESTADO DE COIMBRA SUL

P. Idalino Simões e P. Jorge Germano Dias de Brito – são dispensados da missão de párocos in solidum de Figueiró do Campo, continuando com as outras nomeações.

ARCIPRESTADO DE COIMBRA URBANA

P. Francisco Elói Martinho Prior Claro – é nomeado vigário paroquial de Santa Cruz de Coimbra.

ARCIPRESTADO DA FIGUEIRA DA FOZ

P. Nuno Filipe Fachada Fileno – é nomeado pároco de Bom Sucesso, continuando pároco de Alhadas, Brenha, Ferreira-a-Nova, Maiorca e Vila Verde.

ARCIPRESTADO DO NORDESTE

P. Manuel da Silva Paiva – é nomeado pároco in solidum, com a função de moderador, de Ázere, Candosa, Carapinha, Covas, Covelo, Espariz, Meda de Mouros, Midões, Mouronho, Pinheiro de Côja, Póvoa de Midões, São João da Boavista, Sinde, Tábua e Vila Nova de Oliveirinha.

P. Daniel José Figueiredo Mendes – é nomeado pároco in solidum de Ázere, Candosa, Carapinha, Covas, Covelo, Espariz, Meda de Mouros, Midões, Mouronho, Pinheiro de Côja, Póvoa de Midões, São João da Boavista, Sinde, Tábua e Vila Nova de Oliveirinha.

P. João Creoulo Prior – é dispensado da missão de pároco in solidum de Dornelas do Zêzere, Cabril, Fajão, Janeiro de Baixo, Machio, Pampilhosa da Serra, Portela do Fôjo, Unhais-o-Velho e Vidual de Cima.

P. Orlando José Guerra Henriques – é nomeado pároco de Dornelas do Zêzere, Cabril, Fajão, Janeiro de Baixo, Machio, Pampilhosa da Serra, Portela do Fôjo, Unhais-o-Velho e Vidual de Cima.

ARCIPRESTADO DE POMBAL

P. António Nogueira Torres – é dispensado da missão de pároco de Guia, Ilha e Mata Mourisca.

P. Fernando Rodrigues de Carvalho – é nomeado pároco de Guia, Ilha e Mata Mourisca.

OUTROS SERVIÇOS

Cón. Mons. André Gaspar Almeida Freire – é dispensado da missão de chanceler da Diocese de Coimbra.

P. António Joaquim Farinha Domingues – é nomeado chanceler da Diocese de Coimbra.

P. António Manuel Neto Samelo – é dispensado da missão de pároco e é nomeado capelão do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, continuando coordenador da Comissão Diocesana da Catequese de Adultos.

P. João Fernando Marques Dias – é nomeado assistente diocesano do Movimento dos Cursos de Cristandade.

P. Luís Francisco Cordeiro Marques – é dispensado de capelão do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.

P. Nuno Miguel dos Santos – é nomeado assistente do Secretariado Diocesano da Pastoral da Família, em fase de reconstituição, continuando com as outras nomeações.

Cón. Sertório Baptista Martins – é dispensado da missão de assistente diocesano do Movimento dos Cursos de Cristandade e de assistente do Secretariado Diocesano da Pastoral da Família, continuando com as outras nomeações.


Coimbra, 31 de Julho de 2018

Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra

29/07/2018

Ovelhas sem pastor


«Vinde coMigo para um lugar isolado e descansai um pouco», disse Jesus aos Apóstolos, convidando a um tempo não tanto de férias, mas, mais propriamente, de retiro espiritual, de que todo o cristão necessita para se re-encontrar o Senhor.
Mas, daquela vez, o tempo de descanso de Jesus com os Apóstolos foi de pouca dura: logo ao desembarcar, «Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor». Esta multidão de ovelhas sem pastor é a nossa sociedade actual, que vive como se Deus não existisse, esgotando a vida de experiência em experiência, de aventura em aventura, na ânsia de se saciar, mas sem conseguir: porque nem sonham que a única fonte que sacia a sede de infinito é Deus, a Quem eles rejeitaram. Sem Pai do Céu, é uma sociedade “órfã”. Às vezes, ainda soa, lá no fundo, um resquício de Deus, umas recordações de infância… mas identidade está diluída. Não só a identidade cristã: qualquer identidade! Vivem-se vidas descartáveis: nas relações, muitos fazem do outro um descartável e, sem se aperceberem, fazem-se descartáveis também a si próprios; e depois, o vazio… É o domínio do relativismo: tudo é relativo: as ideias, as relações, os valores morais, que são construídos à medida das conveniências de cada um… Por isso a desorientação.
Esta sociedade desorientada de hoje é que é a multidão de «ovelhas sem pastor» de que Jesus, novamente, Se compadece. Sim, a atitude certa perante esta multidão não é a raiva nem a condenação fácil, mas sim a compaixão. Compaixão não é ter “pena”, não é desprezar, mas sim amar, ajudando a “sair do buraco”, como fez Jesus: «e começou a ensinar-lhes muitas coisas».
Padre Orlando Henriques

28/07/2018

Salvo por milagre… para ser padre!


O Diácono João Nuno Castelhano, natural do Seixo de Mira (paróquia de onde têm brotado muitas vocações sacerdotais), é o mais recente diácono da Diocese de Coimbra, ordenado no passado dia 24 de Junho, juntamente com os três novos sacerdotes da nossa Diocese. Está a estagiar na unidade pastoral de Alvaiázere e foi ordenado diácono a caminho do sacerdócio. Ao semanário diocesano Correio de Coimbra ele contou o seu impressionante testemunho de vida. De facto, há vidas que mostram bem como a vida é um milagre e um dom maravilhoso de Deus a que devemos corresponder com toda a entrega e generosidade.

Filho de um diácono permanente, João Nuno conta que «o despertar para a vocação presbiteral surgiu na minha família e na minha paróquia». Aliás, ele considera que «ao longo de todo este percurso a minha família foi o “porto seguro”: os meus pais, os meus irmãos, os meus avós, tios e primos, e também a paróquia do Seixo, comunidade que me ajudou, e ajuda, a crescer». É o segundo de quatro filhos e nasceu «prematuro, pequeno e frágil». «Aos 6 anos, eu e o meu irmão (com 8 anos), sofremos um grave acidente na brincadeira: ficámos presos na bagageira de um carro comercial num dia de extremo calor; fiquei tão mal que os médicos que nos assistiram no hospital chegaram a dizer aos meus pais que provavelmente eu não resistiria. Depois de induzido em coma, ao fim de alguns dias comecei a minha recuperação, e uma das primeiras coisas de que falei – dizem-me – foi de Nossa Senhora de Fátima! (E, depois, de tractores e vacas!, da minha vida da aldeia, no Seixo de Mira, de onde sou natural). Passados alguns dias voltei a andar e comecei a reaprender a falar. (Um dos médicos dizia: “Ainda dizem que não há milagres!”). Voltei à escola, com muitas dificuldades (andei três anos no primeiro ano), mas os meus pais queriam que eu aprendesse a ler e a escrever. Depois, os professores e médicos que me acompanhavam acharam que eu tinha condições para continuar os estudos, e continuei tranquilamente. No 7º ano escolar ingressei no ensino alternativo, na área da agricultura».

Mas, ao mesmo tempo, surgia o chamamento de Deus a ser padre… «Comecei a ir ao pré-seminário (com o Padre Pedro Luís) pelos 10/11 anos. […] No carnaval do meu 12º ano fui a Taizé, e foi aí que, estando a concluir o percurso do Pré-seminário, me senti chamado. Então, em conversa com o Pe. Nuno Santos, aceitei o desafio de ingressar no seminário, o que veio a acontecer no dia 5 de Outubro 2009». Entretanto, concluiu o curso de Teologia no ano passado e tem estado a estagiar.

Quanto à vida sacerdotal, que já vislumbra pela frente, diz: «quero poder ajudar aqueles que me rodeiam a sentirem o Amor de Deus por cada ser humano, tal como eu tenho sentido na minha vida». E lança um apelo: «Aproveito para me dirigir aqueles que andam em busca da sua vocação. Não tenham medo. Por vezes o caminho parece longo, as dificuldades intransponíveis, mas não estamos sós no caminhar. Pois Jesus caminha connosco. E se «há mais alegria em dar do que em receber», «nunca se cansem de fazer o bem!»* e abram o coração ao Amor de Deus.»

* Claramente, o Diácono João Nuno Castelhano faz aqui uma citação do Cónego Aníbal Castelhano.

18/06/2018

Três novos padres e um diácono para a Diocese de Coimbra

Eis os quatro jovens da nossa Diocese que são ordenados no próximo Domingo, dia 24 de Junho, às 16h00, na Sé Nova, por D. Virgílio Antunes, dos quais três já são diáconos e vão ser ordenados sacerdotes, e um vai ser ordenado diácono, a caminho do sacerdócio.
Na foto, da esquerda para a direita, temos:
— o Diác. Daniel Mendes, natural de Soure, que está a colaborar na Unidade Pastoral de Tábua e vai ser ordenado padre;
— o Diác. Francisco Prior Claro, natural de Ourentã (Cantanhede), que está a colaborar na paróquia de S. Cruz de Coimbra e vai ser ordenado padre;
— o Diác. Jorge Carvalho, natural de Assafarge, que está a colaborar na Unidade Pastoral Figueira-Rio (Figueira da Foz) e vai ser ordenado padre;
— e o seminarista-estagiário João Nuno Castelhano, natural do Seixo de Mira, que está a estagiar na Unidade Pastoral de Alvaiázere e vai ser ordenado diácono.
Demos graças a Deus e acompanhemo-los, também, com a nossa oração.

(leia mais na nossa edição em papel)

03/06/2018

É outra música

Na música, as dissonâncias também têm lugar. E não estou a falar dos desvarios de certa música contemporânea! Mesmo na música mais “clássica” e harmoniosa, por vezes, há certas notas de passagem que causam uma dissonância transitória que é imediatamente resolvida. Não se trata de fazer dissonâncias de qualquer maneira: objectivo é criar uma certa tensão que, ao ser resolvida, tem um resultado harmonioso. Aquilo que, à primeira vista, parecia ser um desacerto tolo produz um efeito delicioso. Os bons músicos, que conhecem bem a arte da harmonia, jogam com essas dissonâncias que são imediatamente resolvidas para dar sabor à música. Também é assim na nossa vida e na nossa fé. As dúvidas e as dificuldades fazem parte do percurso normal, mesmo que seja amargas e “dissonantes” enquanto o “acorde” não se concerta. Desejaríamos, talvez, não ter dúvidas de fé… Mas ter dúvidas é natural, o que é preciso é dar-lhes a volta por cima.  Embora a dúvida, em si mesma, seja um desacerto desconfortável, se for bem resolvida, no final a nossa fé torna-se mais forte, mais esclarecida, menos ingénua. Também com o sofrimento assim acontece. Na 2ª leitura de hoje, São Paulo diz palavras iluminadoras sobre esta nossa condição de cristãos na terra: somos oprimidos, mas não esmagados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados. Ou seja, Deus não nos livra do sofrimento, mas com a cruz de Cristo (que é a nossa glória!) o sofrimento ganha um sentido diferente. Deus é esse compositor genial que compôs a música que é a nossa vida, que também tem as suas “dissonâncias”. Cabe-nos a nós saber tocar essa música com arte e com alma. E tudo fará sentido no acorde final na vida eterna!
Padre Orlando Henriques

27/05/2018

Santíssima Trindade - nem podia ser de outra maneira!

Como entender o mistério da Santíssima Trindade? Um só Deus, mas três Pessoas! Três pessoas que não são três deuses, mas cada uma delas é Deus, e todas são Deus sem deixar de ser um único Deus! Parece confuso, mas tudo faz sentido se compreendermos que Deus é amor!
Faz sentido que Deus, Aquele que é o princípio de tudo, seja um só Deus, e não haja mais nenhum outro. Ele é o princípio de tudo, é o princípio sem princípio, por isso faz sentido que seja um só. Mas Aquele que criou esta “máquina” maravilhosa que é o universo e a colocou a trabalhar na perfeição como um relógio, não é apenas um “relojoeiro”: Ele é amor. Ora, o amor não é solitário: quem ama, ama alguém. Portanto, era necessário que houvesse alguém a quem Deus amasse desde o princípio.
Mas quem? Nem o ser humano nem criatura nenhuma existia desde o princípio: na eternidade sem começo, só Deus existia, porque só Ele é eterno. Além disso, não foi por necessidade de ter alguém a quem amar que Ele criou o ser humano (nem os anjos, nem nada do que existe); se nos criou foi porque quis, por dom amoroso totalmente gratuito, e não por necessidade.
Por isso, se Deus é amor, e se, desde a eternidade, não existia mais ninguém além de Deus, ninguém a quem Deus amasse, então é porque Deus tem de ser amor em Si mesmo, de forma absoluta (afinal, estamos a falar de Deus). Entendemos, então, que Deus seja, em Si mesmo, não uma Pessoa solitária, mas uma comunhão de três Pessoas, sem, no entanto, deixar de ser um só único Deus.
Podia parecer que não fazia sentido nenhum Deus ser três Pessoas e ser um só Deus; mas, se tivermos em conta que Deus é amor, percebemos que nem podia ser de outra maneira!
Nas nossas famílias, um pai é sempre mais velho do que o seu filho: o pai já existia antes de gerar o filho; no entanto, ele não existia enquanto pai, o pai só passa a ser pai a partir do momento em que há filho! O pai começa a existir “enquanto pai” ao mesmo tempo que o filho; ele já existia antes, mas não era pai.
Agora, imaginemos um pai que só existe enquanto pai… Alguém cuja essência fosse gerar, e que não pudesse existir senão enquanto gerador, ou seja, enquanto pai… É o que se passa na Santíssima Trindade: o Pai não existia antes do Filho, mas desde a eternidade sem começo (e até à eternidade sem fim) o Pai gera e o Filho é gerado; e o Espírito Santo é a união entre os dois. De tal modo que as três Pessoas divinas são igualmente eternas, da mesma “idade”. Só assim poderiam ser um só Deus.
O Espírito Santo é a união entre o Pai e o Filho, mas não é uma “união” abstracta: Ele é Pessoa! Ser pessoa não significa ter um corpo (como as pessoas humanas). Ser pessoa é: ser individual (é um, distingue-se dos outros); ter natureza racional; e viver em relação com outras pessoas. Atenção: o Espírito Santo não é nenhuma espécie de “mãe” na Santíssima Trindade!
Algumas imagens antigas pretendem representar a Santíssima Trindade: o Pai representado na figura de um venerável ancião de barbas (normalmente brancas), sentado num trono, a segurar a cruz onde está o Filho, e o Espírito Santo representado em figura de pomba, normalmente entre o Pai e o Filho… Porém, Deus é espírito, e o que é espírito não se pode ver, nem sequer tem uma figura que se possa representar.
Portanto, Deus Pai não é um velhinho de barbas brancas, como vemos nessas imagens. Essa é apenas uma forma que os artistas arranjaram para O poderem representar, mas a verdade é que Deus, pura e simplesmente, não tem figura nenhuma, pois é espírito. Não é por acaso que o Antigo Testamento proíbe fazer imagens de Deus: como Deus não tem figura que seja representável, qualquer imagem que se tentasse fazer d’Ele seria uma imagem errada, um ídolo. Por isso, as tais imagens da Santíssima Trindade são, normalmente, muito antigas: houve uma época em que se começaram a fazer, mas, depois, foram proibidas (ou, pelo menos, desaconselhadas), para evitar o engano em que podem induzir, ao representar O que é irrepresentável.
O Espírito Santo também não é uma pomba. Pode assumir essa figura para Se tornar visível, mas isso não quer dizer que seja essa a Sua figura. Quando é preciso, Ele torna-Se visível dessa maneira, mas também de outras, como línguas de fogo. O Espírito Santo nem é uma pomba nem é línguas de fogo: o facto de Ele aparecer tanto de uma forma como de outra, quer dizer, precisamente, que Ele não tem nem uma forma nem outra, mas apenas assumiu essas figuras quando foi necessário tornar-Se visível.
O mesmo não se pode dizer de Jesus Cristo: ao fazer-Se homem, encarnando no seio da Virgem Maria, Ele passa a ter uma figura visível (não tinha, mas passa a ter), pois é homem como nós, sem deixar de ser verdadeiro Deus. No tempo de Moisés, não era permitido fazer imagens de Deus porque Jesus ainda não tinha encarnado; mas a partir do momento em que Deus Se faz homem, passa a ter uma figura visível e já podemos representá-l’O, fazendo imagens de Jesus. No entanto, continuamos a não poder adorar essas imagens, pois são apenas imagens (só as veneramos; O que adoramos, isso sim, é o Santíssimo Sacramento, que não é apenas uma representação, mas é o próprio Jesus ali presente). Continuamos a não ter uma imagem de Deus Pai, mas Jesus, fazendo-Se homem e vindo até nós, torna-Se o rosto visível de Deus.
Padre Orlando Henriques