29/07/2018

Ovelhas sem pastor


«Vinde coMigo para um lugar isolado e descansai um pouco», disse Jesus aos Apóstolos, convidando a um tempo não tanto de férias, mas, mais propriamente, de retiro espiritual, de que todo o cristão necessita para se re-encontrar o Senhor.
Mas, daquela vez, o tempo de descanso de Jesus com os Apóstolos foi de pouca dura: logo ao desembarcar, «Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor». Esta multidão de ovelhas sem pastor é a nossa sociedade actual, que vive como se Deus não existisse, esgotando a vida de experiência em experiência, de aventura em aventura, na ânsia de se saciar, mas sem conseguir: porque nem sonham que a única fonte que sacia a sede de infinito é Deus, a Quem eles rejeitaram. Sem Pai do Céu, é uma sociedade “órfã”. Às vezes, ainda soa, lá no fundo, um resquício de Deus, umas recordações de infância… mas identidade está diluída. Não só a identidade cristã: qualquer identidade! Vivem-se vidas descartáveis: nas relações, muitos fazem do outro um descartável e, sem se aperceberem, fazem-se descartáveis também a si próprios; e depois, o vazio… É o domínio do relativismo: tudo é relativo: as ideias, as relações, os valores morais, que são construídos à medida das conveniências de cada um… Por isso a desorientação.
Esta sociedade desorientada de hoje é que é a multidão de «ovelhas sem pastor» de que Jesus, novamente, Se compadece. Sim, a atitude certa perante esta multidão não é a raiva nem a condenação fácil, mas sim a compaixão. Compaixão não é ter “pena”, não é desprezar, mas sim amar, ajudando a “sair do buraco”, como fez Jesus: «e começou a ensinar-lhes muitas coisas».
Padre Orlando Henriques

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