Caríssimos irmãos e irmãs!
Chegámos ao tempo santo da Quaresma, no qual os apelos do Senhor se fazem ouvir sempre mais fortes, por um lado e carregados de misericórdia, por outro. A força da Palavra de Deus chega cheia de doçura, porque Ele não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva muito feliz na casa do Pai com todos os seus irmãos. A misericórdia, acolhida em todas as situações mas, mais sentida, quando reconhecemos que estamos perdidos, abre todas as portas do amor sem o qual nunca nos sentiremos felizes e salvos.
O Senhor nunca espera que tomemos a iniciativa para vir ao nosso encontro e nos falar ao coração com palavras convincentes e com gestos divinos eloquentes, como nunca espera que sejamos nós a ir ao seu encontro a fim de alcançarmos a Sua misericórdia. É Ele que toma a iniciativa quando nos vê necessitados de uma palavra de estímulo e fortaleza, quando nos conhece mergulhados no desânimo ou presos nas cadeias do pecado que leva à morte. Deus permanece sempre num movimento de aproximação a cada pessoa que ama e quer salvar, procurando despertar em nós a alegria de nos pormos a caminho para nos aproximarmos d’Ele.
“Entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo”.
A vida reflectida e rezada, com todas as suas alegrias e dores, é o lugar que nos é dado para entrarmos em nós, para ouvirmos a sua voz e vermos os seus gestos de amor. A partir daquilo que somos, que sentimos e que vivemos, Deus oferece-nos a possibilidade de nos pormos a caminho em busca da sua face iluminadora e das suas mãos consoladoras. Para uns, uma vida tranquila e feliz, rodeada de pessoas, de amigos e dos bens materiais, é ponto de partida para o encontro agradecido ao Senhor. Para outros, a dureza dos acontecimentos, a insatisfação diária ou mesmo os problemas e desgraças, são lugar de reconsiderar tudo numa incessante procura de sentido. Também acontece a muitos passarem distraídos ao lado de tudo sem capacidade para a fé agradecida nos momentos bons e sem capacidade para se levantarem e porem a caminho nos momentos de sofrimento e desencanto.
Toda a vida reflectida e rezada abre à possibilidade do encontro com Deus; toda ela pode ser lugar de escuta da Sua voz e de abertura à Sua misericórdia. As propostas de silêncio, oração e contemplação pessoal, que o tempo da Quaresma nos oferece, vêm ao encontro desta necessidade humana e constituem meio adequado para fazermos a nossa parte do caminho, uma vez que o Senhor já fez a sua.
“Reuni o povo, convocai a assembleia”.
A assembleia cristã ou Igreja reunida constitui lugar essencial de aproximação do Senhor, que se aproxima de nós. Deus constitui-nos como Seu povo santo e está presente quando dois ou três se reúnem em seu nome: ali nos acolhe, nos fala, nos alimenta e fortalece com o Pão da Vida; ali O louvamos e bendizemos, confessamos os nossos pecados e somos perdoados, suplicamos auxílio para as nossas debilidades; ali avivamos a fé e o amor; para ali levamos os nossos dons humanos e dali saímos cheios dos dons da Vida divina.
O nosso caminho de conversão a Deus e ao serviço dos irmãos não se pode fazer sem a Igreja, o povo que caminha na fé e na profundidade espiritual de vida a partir do Evangelho. Conversão a Deus significa sempre e ao mesmo tempo conversão à sua Igreja, apesar de todas as suas fragilidades humanas, mas lugar de encontro humano e divino.
Ela é a casa do Pai na qual vivemos, o lar que frequentemente abandonamos e ao qual voltamos quando nos deixamos mover pela graça e pela misericórdia. Mesmo com os seus defeitos é sacramento da salvação, é sinal presente no mundo, é luz que abre caminhos e realização dos horizontes de santidade e comunhão entre os seus membros e com o Senhor que a conduz.
As propostas que a Quaresma nos faz têm como horizonte uma inserção mais plena na Igreja, Corpo de Cristo e mistério de comunhão, sem a qual ficamos órfãos, perdemos o sentido de Deus e o sentido dos outros.
“Convertei-vos a Mim de todo o coração”.
A conversão a Deus é a meta de todo o nosso caminho de cristãos, a fim de estarmos com Ele, vivermos n’Ele e encontrarmos n’Ele a motivação fundamental para o nosso agir em ordem à transformação do mundo.
Pode estar-se no mundo de muitas formas. A nossa, própria de cristãos, tem uma marca específica: viver em Cristo, por Cristo e com Cristo. A orientação da vida, do coração, dos sentimentos, dos actos e dos valores de um cristão brotam do seu ser em Cristo, incarnando o seu modo de ser a partir de dentro.
Converter-se a Cristo significa incarnar na inteligência, no coração e na totalidade de nós mesmos a grande máxima do Apóstolo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Envolvidos por Cristo crucificado e ressuscitado, procuremos renovar-nos a nós mesmos e demos o nosso contributo para que o Senhor renove todas as coisas, o nosso mundo interior e as realidades exteriores.
A Quaresma será um tempo favorável de graça se nos pusermos a caminho ao encontro Senhor que já se aproximou de nós e, connosco, quer ir ao encontro dos homens e mulheres nossos irmãos na evangelização, na caridade e na construção da Sua Igreja Santa.
Coimbra, 14 de Fevereiro de 2018
Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra
14/02/2018
13/01/2018
Papa vai ao encontro dos índios do Peru, da Bolívia e do Brasil
O Papa vai realizar, entre 15 e 21 de Janeiro, a sua quarta visita à América Latina, mais concretamente ao Chile e ao Peru. O objectivo principal desta visita é o encontro com indígenas do Peru, da Bolívia e do Brasil no dia 19 de Janeiro, em Puerto Maldonado (Peru). Um povo que no pensamento do Papa é muitas vezes esquecido e sem a perspectiva de um futuro sereno.
Para traçar um caminho para a evangelização deste povo, o Papa Francisco decidiu convocar um Sínodo especial dos Bispos (uma assembleia dos bispos da América Latina) para a região pan-amazónica, a realizar em Outubro de 2019, no Vaticano.
Outra das preocupações do Papa é a desflorestação da Amazónia. Na sua encíclica “Laudato Si´”, o Sumo Pontífice defende que a exploração dos recursos naturais não deve apostar no benefício imediato. Neste caso não são apenas os indígenas que são prejudicados ao perderem o seu habitat, mas todo o planeta terra que precisa desse pulmão verde.
Para traçar um caminho para a evangelização deste povo, o Papa Francisco decidiu convocar um Sínodo especial dos Bispos (uma assembleia dos bispos da América Latina) para a região pan-amazónica, a realizar em Outubro de 2019, no Vaticano.
Outra das preocupações do Papa é a desflorestação da Amazónia. Na sua encíclica “Laudato Si´”, o Sumo Pontífice defende que a exploração dos recursos naturais não deve apostar no benefício imediato. Neste caso não são apenas os indígenas que são prejudicados ao perderem o seu habitat, mas todo o planeta terra que precisa desse pulmão verde.
Miguel Cotrim
03/01/2018
Nomeações dos novos diáconos permanentes
Num decreto datado do passado dia 29 de Novembro de 2017, o Sr. Dom Virgílio do Nascimento Antunes, Bispo de Coimbra, fez as seguintes nomeações dos novos diáconos permanentes (ordenados em 2017) para serviços pastorais na Diocese de Coimbra:
Diác. Albano Nogueira Rosário – Colaborador do P. Jorge da Silva Santos, nas paróquias de São João Batista e São José, Coimbra; membro da Equipa Diocesana do Diaconado Permanente.
Diác. André Colaço Alves – Colaborador do P. João Paulo Francisco Ferreira Vaz, na paróquia de Pombal.
Diác. António Agostinho Fernandes de Sá – Colaborador do P. Idalino Simões e do P. Jorge Germano Dias de Brito, nas paróquias de Anobra, Belide, Bendafé, Condeixa a Nova, Condeixa a Velha, Ega, Figueiró do Campo, Furadouro, Sebal, Vila Seca e Zambujal.
Diác. Arlindo Branquinho Ferreira Pascoal – Colaborador do P. Lucas Pio Francisco Farias da Silva, nas paróquias de Lamarosa, Meãs do Campo, São Martinho de Árvore, São Silvestre e Tentúgal.
Diác. Carlos Alberto Martinho da Silva – Colaborador do P. Lucas Pio Francisco Farias da Silva, nas paróquias de Lamarosa, Meãs do Campo, São Martinho de Árvore, São Silvestre e Tentúgal.
Diác. Eurico Manuel Carvalheiro de Matos – Colaborador do P. João Pedro Lopes da Silva, nas paróquias de Cantanhede, Outil e Portunhos.
Diác. Fernando Lopes Raimundo – Colaborador do P. António Joaquim Farinha Domingues, nas paróquias de Ameal, Arzila, Pereira do Campo, Ribeira de Frades, Santo Varão e Taveiro.
Diác. Francisco Paulo de Sá Campos Gil – Colaborador do P. Feliz Vieira Pires, na paróquia de Nossa Senhora de Lurdes, Coimbra; membro do Secretariado Diocesano da Evangelização e Catequese.
Diác. Joaquim Carlos Mendes Gonçalves – Colaborador do P. Idalino Simões e do P. Jorge Germano Dias de Brito, nas paróquias de Anobra, Belide, Bendafé, Condeixa a Nova, Condeixa a Velha, Ega, Figueiró do Campo, Furadouro, Sebal, Vila Seca e Zambujal.
Diác. Jorge Carlos Lopes Ferreira – Colaborador do P. António Manuel Nobre de Almeida, nas paróquias de Abiúl, Santiago de Litém e Vila Cã.
Diác. José Manuel Esteves – Colaborador do P. António Jesus de Melo Loureiro e do P. Paulo Fernando Silvestre Filipe, nas paróquias de Bobadela, Ervedal da Beira, Lagares da Beira, Lageosa, Lagos da Beira, Meruje, Oliveira do Hospital, Seixo da Beira e Travanca de Lagos.
Diác. José Simões Laranjeira – Colaborador do P. Carlos Alberto da Graça Godinho, nas paróquias de Luso e Pampilhosa do Botão.
Diác. Leonel Rodrigues Gameiro – Colaborador do P. João Paulo Francisco Ferreira Vaz, na paróquia de Pombal.
Diác. Lídio Lourenço Gonçalves – Colaborador do P. Manuel António Pereira Ferrão, nas paróquias de Lamas, Miranda do Corvo, Rio de Vide, Semide e Vila Nova de Miranda.
Diác. Manuel Cabral Henriques Lopes – Colaborador do P. António Mendes Antunes, nas paróquias de Lavegadas, Santa Maria da Arrifana, Santo André e São Miguel de Poiares.
Diác. Manuel Rodrigues Gonçalves Sebastião – Colaborador do P. João Pedro Lopes da Silva, nas paróquias de Cantanhede, Portunhos e Outil.
Diác. Pedro Luís Marques Gomes – Colaborador do P. Domenico Celebrin, na paróquia de Santo António dos Olivais e reitoria do Dianteiro (Coimbra); membro do Secretariado Diocesano da Pastoral.
Diác. Albano Nogueira Rosário – Colaborador do P. Jorge da Silva Santos, nas paróquias de São João Batista e São José, Coimbra; membro da Equipa Diocesana do Diaconado Permanente.
Diác. André Colaço Alves – Colaborador do P. João Paulo Francisco Ferreira Vaz, na paróquia de Pombal.
Diác. António Agostinho Fernandes de Sá – Colaborador do P. Idalino Simões e do P. Jorge Germano Dias de Brito, nas paróquias de Anobra, Belide, Bendafé, Condeixa a Nova, Condeixa a Velha, Ega, Figueiró do Campo, Furadouro, Sebal, Vila Seca e Zambujal.
Diác. Arlindo Branquinho Ferreira Pascoal – Colaborador do P. Lucas Pio Francisco Farias da Silva, nas paróquias de Lamarosa, Meãs do Campo, São Martinho de Árvore, São Silvestre e Tentúgal.
Diác. Carlos Alberto Martinho da Silva – Colaborador do P. Lucas Pio Francisco Farias da Silva, nas paróquias de Lamarosa, Meãs do Campo, São Martinho de Árvore, São Silvestre e Tentúgal.
Diác. Eurico Manuel Carvalheiro de Matos – Colaborador do P. João Pedro Lopes da Silva, nas paróquias de Cantanhede, Outil e Portunhos.
Diác. Fernando Lopes Raimundo – Colaborador do P. António Joaquim Farinha Domingues, nas paróquias de Ameal, Arzila, Pereira do Campo, Ribeira de Frades, Santo Varão e Taveiro.
Diác. Francisco Paulo de Sá Campos Gil – Colaborador do P. Feliz Vieira Pires, na paróquia de Nossa Senhora de Lurdes, Coimbra; membro do Secretariado Diocesano da Evangelização e Catequese.
Diác. Joaquim Carlos Mendes Gonçalves – Colaborador do P. Idalino Simões e do P. Jorge Germano Dias de Brito, nas paróquias de Anobra, Belide, Bendafé, Condeixa a Nova, Condeixa a Velha, Ega, Figueiró do Campo, Furadouro, Sebal, Vila Seca e Zambujal.
Diác. Jorge Carlos Lopes Ferreira – Colaborador do P. António Manuel Nobre de Almeida, nas paróquias de Abiúl, Santiago de Litém e Vila Cã.
Diác. José Manuel Esteves – Colaborador do P. António Jesus de Melo Loureiro e do P. Paulo Fernando Silvestre Filipe, nas paróquias de Bobadela, Ervedal da Beira, Lagares da Beira, Lageosa, Lagos da Beira, Meruje, Oliveira do Hospital, Seixo da Beira e Travanca de Lagos.
Diác. José Simões Laranjeira – Colaborador do P. Carlos Alberto da Graça Godinho, nas paróquias de Luso e Pampilhosa do Botão.
Diác. Leonel Rodrigues Gameiro – Colaborador do P. João Paulo Francisco Ferreira Vaz, na paróquia de Pombal.
Diác. Lídio Lourenço Gonçalves – Colaborador do P. Manuel António Pereira Ferrão, nas paróquias de Lamas, Miranda do Corvo, Rio de Vide, Semide e Vila Nova de Miranda.
Diác. Manuel Cabral Henriques Lopes – Colaborador do P. António Mendes Antunes, nas paróquias de Lavegadas, Santa Maria da Arrifana, Santo André e São Miguel de Poiares.
Diác. Manuel Rodrigues Gonçalves Sebastião – Colaborador do P. João Pedro Lopes da Silva, nas paróquias de Cantanhede, Portunhos e Outil.
Diác. Pedro Luís Marques Gomes – Colaborador do P. Domenico Celebrin, na paróquia de Santo António dos Olivais e reitoria do Dianteiro (Coimbra); membro do Secretariado Diocesano da Pastoral.
Nomeações “de Inverno” na Diocese de Coimbra
Num decreto datado do passado dia 1 de Janeiro, o Sr. Dom Virgílio do Nascimento Antunes, Bispo de Coimbra, fez as seguintes nomeações para o serviço eclesial na Diocese de Coimbra:
Cón. Alfredo Ferreira Dionísio – cessa as funções de pároco de Torres do Mondego.
Cón. Aníbal Pimentel Castelhano – cessa as funções de pároco de Carvalho, Friúmes e Penacova.
Cón. João Coutinho Veríssimo – cessa as funções de Reitor do Seminário da Imaculada Conceição da Figueira da Foz, que é integrado na Administração Diocesana.
P. João Paulo dos Santos Fernandes – é nomeado pároco de Carvalho e Penacova, continuando pároco de Figueira de Lorvão, Lorvão e Sazes de Lorvão.
P. José Kamutali Tomás – é nomeado pároco de Torres do Mondego, continuando pároco de Castelo Viegas e Ceira.
P. José Lopes de Carvalho – é nomeado pároco de Campelo e Vila Facaia, continuando pároco de Castanheira de Pêra e Coentral.
P. José Rosa Gomes – cessa as funções de pároco de Arega, Campelo e Figueiró dos Vinhos.
P. Júlio da Silva Neves Santos – é nomeado pároco de Arega e Figueiró dos Vinhos, continuando pároco de Graça e Pedrógão Grande.
P. Manuel Pinto Caetano – é nomeado pároco de Friúmes, continuando pároco de Oliveira do Mondego, Paradela da Cortiça, São Paio do Mondego, São Pedro de Alva e Travanca do Mondego.
P. Rodolfo Miguel Fernandes Costa Albuquerque – é nomeado capelão da Santa Casa da Misericórdia de Galizes.
P. Rodolfo Santos Oliveira Leite – é nomeado capelão da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada.
Cón. Alfredo Ferreira Dionísio – cessa as funções de pároco de Torres do Mondego.
Cón. Aníbal Pimentel Castelhano – cessa as funções de pároco de Carvalho, Friúmes e Penacova.
Cón. João Coutinho Veríssimo – cessa as funções de Reitor do Seminário da Imaculada Conceição da Figueira da Foz, que é integrado na Administração Diocesana.
P. João Paulo dos Santos Fernandes – é nomeado pároco de Carvalho e Penacova, continuando pároco de Figueira de Lorvão, Lorvão e Sazes de Lorvão.
P. José Kamutali Tomás – é nomeado pároco de Torres do Mondego, continuando pároco de Castelo Viegas e Ceira.
P. José Lopes de Carvalho – é nomeado pároco de Campelo e Vila Facaia, continuando pároco de Castanheira de Pêra e Coentral.
P. José Rosa Gomes – cessa as funções de pároco de Arega, Campelo e Figueiró dos Vinhos.
P. Júlio da Silva Neves Santos – é nomeado pároco de Arega e Figueiró dos Vinhos, continuando pároco de Graça e Pedrógão Grande.
P. Manuel Pinto Caetano – é nomeado pároco de Friúmes, continuando pároco de Oliveira do Mondego, Paradela da Cortiça, São Paio do Mondego, São Pedro de Alva e Travanca do Mondego.
P. Rodolfo Miguel Fernandes Costa Albuquerque – é nomeado capelão da Santa Casa da Misericórdia de Galizes.
P. Rodolfo Santos Oliveira Leite – é nomeado capelão da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada.
25/12/2017
Vale a pena esperar
Já sabemos que, para além do Natal do Senhor, há um outro natal em circulação por aí: o natal do comércio, das prendas, das frases “bonitas” mas sem Cristo, do “Pai Natal” e até dos hipopótamos (que sempre foram animais muito natalícios… ou então não). A única coincidência que estes dois natais têm entre si é o dia 25 de Dezembro: o natal paganizado acaba nesse dia e o Natal do Senhor começa nesse dia. O natal paganizado acaba nesse dia talvez por já não ter mais nada para vender: começa uma nova campanha comercial, os hipopótamos dão lugar à publicidade de artigos para a passagem de ano. O natal paganizado já nos cansa muito antes de meados de Dezembro, porque já desde o início de Novembro que nos enchem a cabeça com as músicas irritantes daqueles anúncios comerciais. Por isso, ao chegar o 25 de Dezembro, esse natal está estoirado, já deu o que tinha a dar; fica só o vazio, já passou…
E é então, quando o natal paganizado se vai calando, que estão reunidas as melhores condições de silêncio para começar o verdadeiro Natal, o de Cristo: tantas belas festas natalícias que se prolongam na liturgia ano novo adentro! Um tempo belo para contemplar Deus feito Menino. Enquanto o mundo vive o natal comercial (esgotado antes do dia, como fruto colhido antes de estar maduro), os cristãos vivem a conversão e a esperança vigilante do Advento. Porque o Natal não é para ser “consumido”: as coisas importantes esperam-se e preparam-se interiormente com antecedência. Como os noivos castos que esperam o dia do casamento para, então, viverem como casados; como a grávida que espera com alegria o nascimento do seu bebé; como o seminarista que vai amadurecendo a vocação; como o amigo que aguarda feliz a chegada do seu amigo… Assim é o Advento, que nos vai enfeitando o coração para a festa que se prolonga e deixa sabor.
E é então, quando o natal paganizado se vai calando, que estão reunidas as melhores condições de silêncio para começar o verdadeiro Natal, o de Cristo: tantas belas festas natalícias que se prolongam na liturgia ano novo adentro! Um tempo belo para contemplar Deus feito Menino. Enquanto o mundo vive o natal comercial (esgotado antes do dia, como fruto colhido antes de estar maduro), os cristãos vivem a conversão e a esperança vigilante do Advento. Porque o Natal não é para ser “consumido”: as coisas importantes esperam-se e preparam-se interiormente com antecedência. Como os noivos castos que esperam o dia do casamento para, então, viverem como casados; como a grávida que espera com alegria o nascimento do seu bebé; como o seminarista que vai amadurecendo a vocação; como o amigo que aguarda feliz a chegada do seu amigo… Assim é o Advento, que nos vai enfeitando o coração para a festa que se prolonga e deixa sabor.
Pe. Orlando Henriques
17/12/2017
AO CALOR DA FOGUEIRA (17-12-2017)
– Bendito seja Deus que nos mandou dois dias de chuva! Ainda não chega para as necessidades, mas é já uma boa ajuda, porque estava tudo seco, Tio Ambrósio! Olhe que até para apanhar o musgo para o presépio idealizado pela minha pequena tive que correr montes e vales. Isto é um modo de dizer, porque no pedaço de pinhal que sobrou dos incêndios encontrei mais que o necessário…
– Eu também já montei o meu, Carlos! Uma coisa muito simples, mas a que eu atribuo grande significado. Uma cabana construída com duas pedras e uma laje a servir-lhe de cobertura, sem luzes de várias cores. A iluminação é feita com uma simples lâmpada de azeite. E este ano optei por não colocar nem a vaca nem o burrinho, porque os incêndios deram cabo dos pastos…
– O Tio Ambrósio está a usar uma linguagem muito figurada. Os animais que colocamos nos nossos presépios não precisam de forragem…
– Mas precisam os outros, Carlos! E olha que não tem sido fácil para muitos pastores encontrar alimento para os seus rebanhos. O que tem valido a muitos é a grande solidariedade que se gerou em algumas regiões do país, que enviaram toneladas de pasto para os locais mais atingidos por este flagelo que tão cedo não vai abandonar as nossas cabeças.
– A pouco e pouco tudo vai regressar ao normal. Por isso, no presépio lá de casa há muitas luzes, muita gente a passar pelos caminhos, e muitos animais, desde um cão que guarda o rebanho das ovelhas, até ao galo que, colocado no cimo de um telhado de xisto, acorda todo o povoado logo pela manhã…
– E nem vaca nem burro, Carlos!
– Já lá vamos, Tio Ambrósio! Por causa do burro é que eu, este ano, tive que voltar ao presépio. Estou a falar do presépio verdadeiro, daquele em que a Puríssima Virgem Maria deu à luz “Aquele que, por nós homens e para nossa salvação, desceu do Céu”…
– Voltaste a ser brindado com a graça de mais um sonho natalício! És um rapaz cheio de sorte! Conta-me cá como tudo aconteceu!
– Aconteceu como das outras vezes, Tio Ambrósio! Como ao burro de barro do nosso presépio já faltava uma das orelhas, a minha pequena não se calava, dizendo à mãe para comprar um burro novo, porque havia deles à venda na loja do Sanguessuga. E tanto clamou que, já ao anoitecer, eu tive que pôr os pés ao caminho e ir comprar o animal ao Manuel das Chagas. Deve ter sido por isso que, nessa noite, mal me estendi na cama, adormeci que nem um justo e, passados momentos, estava a sonhar com um burro de verdade, que alguém, de quem já nem o nome me lembro, tinha deixado ao meu cuidado para, na noite de Natal, levar ao presépio de Belém, porque tinha nascido ali um Menino muito pobre, que precisava do bafo quente de um jerico e de uma vaca, para não tiritar de frio.
– E tu montaste no burro, e aí vais, todo janota, até onde o sonho te quis levar…
– Mais ou menos isso, Tio Ambrósio! Mas como a figura dos meus sonhos me falara também de uma vaca, resolvi passar pelo meu estábulo e levar a Malhada, que é mansa como a terra. Não me pergunte por onde passei, nem que caminhos percorri, porque a lembrança que tenho a seguir é a de, montado no jerico e com a Malhada à soga, ter chegado a um terreiro, onde me aguardava um homem vestido com uma túnica castanha e que, fazendo-me sinal para eu parar, me perguntou se era eu o senhor Carlos do Cabeço. Saltei do burro e, como quem se apresentava para cumprir uma missão importante, disse que sim, ao que ele me respondeu, numa voz muito pausada, mas firme, que fora ele mesmo a requisitar os meus serviços, porque lhe haviam dito que sou uma pessoa sempre pronta a ajudar os pobres e desvalidos. Depois estendeu-me a mão calejada e fez a sua apresentação. O seu nome era José, carpinteiro de profissão, e tinha vindo a Belém para se recensear com a sua jovem esposa que, tendo chegado o seu tempo, se vira na necessidade de dar à luz num local muito pobre, por não haver lugar na única hospedaria da pequena cidade. Com frio que estava, a presença dos dois animais era fundamental, constituindo como que um aquecimento central para o acanhado apartamento.
– Mais propriamente um curral!
– Eu não queria usar esse termo para designar o local onde nasceu o Filho de Deus e da Virgem Santa Maria. Mas o Tio Ambrósio tem razão. Aquilo era mesmo um curral nos arredores da pequena cidade, onde os pastores, em noites de maior invernia, abrigavam os seus rebanhos.
– E depois das apresentações, entraste lá dentro…
– O Patriarca José, com uma alanterna de azeite, foi à frente para indicar o caminho. Eu fui atrás com a Malhada, que parece que até já conhecia o local, pois foi logo deitar-se ao lado do Menino deitado nuns paninhos simples que cobriam um molho de feno que, à falta de melhor, servia de berço. Logo o animal começou a desempenhar a sua função, aquecendo com o seu bafo os pezinhos do Divino Infante, que, numa noite daquelas, deviam estar mais que gelados. Depois, aos poucos, o curral foi ficando iluminado, com uma luz tão suave, que eu não consegui imediatamente identificar de onde vinha. De qualquer modo, aquela claridade permitiu-me ver as feições belíssimas da jovem Mãe, que estava de joelhos e de mãos postas, numa atitude de pura contemplação diante do mistério daquele Menino.
– E tu, Carlos?
– Eu senti um impulso irresistível de cair com ambos os joelhos por terra e tentei imitar a Virgem Maria, enquanto o jerico se foi colocar do outro lado do Menino, colocando por terra, primeiro as patas dianteiras, e depois também as detrás, deixando, nesse acto, escapar um pequeno sinal sonoro. Arregalei os olhos e logo reconheci o Fogueteiro, o meu companheiro de vigílias semelhantes em anos anteriores. Fiquei contente, porque vi que, ao lado do burro, estava com a minha gente!
– E depois?
– O que veio a seguir irei contar-lho na próxima semana, que é mesmo no dia da Consoada. Virei buscá-lo a tempo, e se formos a pé, iremos conversando pelo caminho. Pode ser?
– Pode, Carlos! Vai lá com Deus!
– Eu também já montei o meu, Carlos! Uma coisa muito simples, mas a que eu atribuo grande significado. Uma cabana construída com duas pedras e uma laje a servir-lhe de cobertura, sem luzes de várias cores. A iluminação é feita com uma simples lâmpada de azeite. E este ano optei por não colocar nem a vaca nem o burrinho, porque os incêndios deram cabo dos pastos…
– O Tio Ambrósio está a usar uma linguagem muito figurada. Os animais que colocamos nos nossos presépios não precisam de forragem…
– Mas precisam os outros, Carlos! E olha que não tem sido fácil para muitos pastores encontrar alimento para os seus rebanhos. O que tem valido a muitos é a grande solidariedade que se gerou em algumas regiões do país, que enviaram toneladas de pasto para os locais mais atingidos por este flagelo que tão cedo não vai abandonar as nossas cabeças.
– A pouco e pouco tudo vai regressar ao normal. Por isso, no presépio lá de casa há muitas luzes, muita gente a passar pelos caminhos, e muitos animais, desde um cão que guarda o rebanho das ovelhas, até ao galo que, colocado no cimo de um telhado de xisto, acorda todo o povoado logo pela manhã…
– E nem vaca nem burro, Carlos!
– Já lá vamos, Tio Ambrósio! Por causa do burro é que eu, este ano, tive que voltar ao presépio. Estou a falar do presépio verdadeiro, daquele em que a Puríssima Virgem Maria deu à luz “Aquele que, por nós homens e para nossa salvação, desceu do Céu”…
– Voltaste a ser brindado com a graça de mais um sonho natalício! És um rapaz cheio de sorte! Conta-me cá como tudo aconteceu!
– Aconteceu como das outras vezes, Tio Ambrósio! Como ao burro de barro do nosso presépio já faltava uma das orelhas, a minha pequena não se calava, dizendo à mãe para comprar um burro novo, porque havia deles à venda na loja do Sanguessuga. E tanto clamou que, já ao anoitecer, eu tive que pôr os pés ao caminho e ir comprar o animal ao Manuel das Chagas. Deve ter sido por isso que, nessa noite, mal me estendi na cama, adormeci que nem um justo e, passados momentos, estava a sonhar com um burro de verdade, que alguém, de quem já nem o nome me lembro, tinha deixado ao meu cuidado para, na noite de Natal, levar ao presépio de Belém, porque tinha nascido ali um Menino muito pobre, que precisava do bafo quente de um jerico e de uma vaca, para não tiritar de frio.
– E tu montaste no burro, e aí vais, todo janota, até onde o sonho te quis levar…
– Mais ou menos isso, Tio Ambrósio! Mas como a figura dos meus sonhos me falara também de uma vaca, resolvi passar pelo meu estábulo e levar a Malhada, que é mansa como a terra. Não me pergunte por onde passei, nem que caminhos percorri, porque a lembrança que tenho a seguir é a de, montado no jerico e com a Malhada à soga, ter chegado a um terreiro, onde me aguardava um homem vestido com uma túnica castanha e que, fazendo-me sinal para eu parar, me perguntou se era eu o senhor Carlos do Cabeço. Saltei do burro e, como quem se apresentava para cumprir uma missão importante, disse que sim, ao que ele me respondeu, numa voz muito pausada, mas firme, que fora ele mesmo a requisitar os meus serviços, porque lhe haviam dito que sou uma pessoa sempre pronta a ajudar os pobres e desvalidos. Depois estendeu-me a mão calejada e fez a sua apresentação. O seu nome era José, carpinteiro de profissão, e tinha vindo a Belém para se recensear com a sua jovem esposa que, tendo chegado o seu tempo, se vira na necessidade de dar à luz num local muito pobre, por não haver lugar na única hospedaria da pequena cidade. Com frio que estava, a presença dos dois animais era fundamental, constituindo como que um aquecimento central para o acanhado apartamento.
– Mais propriamente um curral!
– Eu não queria usar esse termo para designar o local onde nasceu o Filho de Deus e da Virgem Santa Maria. Mas o Tio Ambrósio tem razão. Aquilo era mesmo um curral nos arredores da pequena cidade, onde os pastores, em noites de maior invernia, abrigavam os seus rebanhos.
– E depois das apresentações, entraste lá dentro…
– O Patriarca José, com uma alanterna de azeite, foi à frente para indicar o caminho. Eu fui atrás com a Malhada, que parece que até já conhecia o local, pois foi logo deitar-se ao lado do Menino deitado nuns paninhos simples que cobriam um molho de feno que, à falta de melhor, servia de berço. Logo o animal começou a desempenhar a sua função, aquecendo com o seu bafo os pezinhos do Divino Infante, que, numa noite daquelas, deviam estar mais que gelados. Depois, aos poucos, o curral foi ficando iluminado, com uma luz tão suave, que eu não consegui imediatamente identificar de onde vinha. De qualquer modo, aquela claridade permitiu-me ver as feições belíssimas da jovem Mãe, que estava de joelhos e de mãos postas, numa atitude de pura contemplação diante do mistério daquele Menino.
– E tu, Carlos?
– Eu senti um impulso irresistível de cair com ambos os joelhos por terra e tentei imitar a Virgem Maria, enquanto o jerico se foi colocar do outro lado do Menino, colocando por terra, primeiro as patas dianteiras, e depois também as detrás, deixando, nesse acto, escapar um pequeno sinal sonoro. Arregalei os olhos e logo reconheci o Fogueteiro, o meu companheiro de vigílias semelhantes em anos anteriores. Fiquei contente, porque vi que, ao lado do burro, estava com a minha gente!
– E depois?
– O que veio a seguir irei contar-lho na próxima semana, que é mesmo no dia da Consoada. Virei buscá-lo a tempo, e se formos a pé, iremos conversando pelo caminho. Pode ser?
– Pode, Carlos! Vai lá com Deus!
10/12/2017
AO CALOR DA FOGUEIRA (10-12-2017)
– Boas e santas tardes nos dê Deus, Tio Ambrósio!
– A todos nós e aos nossos familiares, conhecidos, amigos e mesmo inimigos, se os tivermos! Que Deus, quando dá, é para todos. Como diz a Sagrada Escritura, que é sempre o meu livro de referência, Ele manda o sol e a chuva sobre todos, justos e injustos…
– E agora, com esta seca agravada que se instalou entre nós, bem preciso é que Deus nos mande o precioso dom da chuva. As dádivas de Deus são sempre preciosas! Mas quando a necessidade é muita, as nossas preces devem ser maiores. Sabemos, como dizem os grandes santos, fundados no Evangelho, que não é por dizermos muitas palavras que Ele nos escuta melhor, pois sabe muito bem daquilo que nós precisamos muito antes de nós Lho pedirmos…
– Creio que foi Santo Agostinho que escreveu, numa célebre carta a uma matrona romana, de nome Proba, ali por volta do ano 411, que as palavras que empregamos na oração destinam-se não tanto a lembrar ao Senhor as nossas necessidades, mas a lembrarmo-nos a nós próprios e a estimularmos a nossa devoção. Se um dia vier a talho de foice, havemos de falar mais longamente das cinco cartas que o santo Bispo de Hipona escreveu a essa viúva cristã e a Juliana, sua familiar, que o haviam consultado sobre a forma de entender o trecho do capítulo 8 da Carta de São Paulo aos Romanos ao afirmar que é o Espirito Santo que vem em ajuda da nossa fraqueza, “pois não sabemos o que havemos de pedir em nossas orações”.
– Esse seria um bom tema para o Tio Ambrósio desenvolver numa das nossas catequeses de adultos. Embora não esteja programada, parece-me que, a propósito desta falta de chuva, uma palestra sobre o que devemos pedir e forma como devemos fazê-lo cairia como sopa no mel.
– Todos nós, os cristãos, temos necessidade de meditar sobre a oração, partindo do modelo que o próprio Jesus nos deixou ao ensinar-nos o Pai-Nosso. Aliás, posso dizer-te que Santo Agostinho, na carta que aqui referimos, chega a afirmar que não há nenhum pedido bom que não esteja incluído na oração que o Senhor nos ensinou. A título de exemplo, quando dizemos que nos dê o pão nosso de cada dia, estamos a desejar que nos envie a chuva, sem a qual os nossos campos não podem produzir o trigo, o milho, o arroz ou a cevada…
– E, no “pão de cada dia”, estão incluídas também as forragens para os nossos animais…
– Está incluído tudo o que é necessário para a nossa subsistência, Carlos! Que temos nós que não seja dádiva gratuita de Deus Nosso Senhor?
– Nesse caso, no próximo encontro do grupo de catequese, eu vou propor uma lição dada pelo Tio Ambrósio, para nos explicar o sentido mais profundo duma oração que nós rezamos todos os dias, mas quase sem nos darmos conta do que estamos a dizer…
– Estes tempos de maior frio não são os melhores para eu sair de casa. Mas, lá para Março, que já é altura de sementeiras, tenho todo o gosto em partilhar convosco alguns dos ensinamentos que vou colhendo na leitura de bons livros e na meditação mais aprofundada que vou fazendo sobre a Palavra de Deus. Até podemos escolher como título para a palestra: “O que tem o Pai Nosso a ver com a plantação da batata”.
– O Liberato diria que é um título bastante prosaico…
– Eu sei que não tem a elevação devida para gente piedosa, Carlos! No entanto, podemos tirar proveito da curiosidade das pessoas, que logo pensarão que orações e batatas não cabem no mesmo saco.
– E cabem, Tio Ambrósio?
– Claro que cabem, Carlos! Então qual é a base da nossa alimentação aqui no Cabeço? É a batata, a par das hortaliças, do milho e do centeio, que agora já cultivamos em escala muito reduzida…
– Para si, a castanha continua a ter alguma importância…
– Muita importância, Carlos! Por isso, quando eu peço ao Senhor que me conceda o pão de cada dia, estou a pensar também nos meus castanheiros, sobretudo neste de grande porte que tenho aqui ao lado de casa. Tenho ali no caniço duas arrobas de castanhas que, depois de piladas, me vão servir para fazer saborosas sopas, sobretudo nesta época de maior friagem.
– A minha Joana usa mais o feijão catarino…
– Também esse entra no saco da oração do Pai Nosso, Carlos!
– A propósito de sopa, o Tio Ambrósio não se esqueça que, na noite de Natal, a ceia é lá em nossa casa! A minha mais pequena já anda toda entusiasmada com a montagem do presépio. Até me pediu para ir um bocadito mais cedo para a acompanhar na apanha do musgo, que é sempre um dos materiais que usamos em maior escala. Depois, coberto com duas mãos de farinha, até dá a impressão de um campo ou de um monte cheio de neve…
– A nossa imaginação é fabulosa, Carlos! Olha que até a neve depende da chuva! E, pelos vistos, arriscamo-nos este ano a ter um Natal com muito gelo, mas sem a neve a encher de brancura os nossos telhados e os nossos caminhos…
– Mas não vai ser por isso que o Menino Jesus deixará de descer até nós, para habitar connosco, na nossa tenda…
– Muito apropriada essa expressão, Carlos! Bem se vê que as lições da catequese de adultos têm sido proveitosas para todos, até porque são ocasião para lerdes alguns textos significativos da Sagrada Escritura.
– Eu sempre aprendi muito nestas conversas que, todos os domingos, aqui mantenho com o Tio Ambrósio! Mas digo-lhe que uma coisa não tira a outra! Posso antes dizer que uma e outra se completam, até porque muitas vezes, assim como quem se quer fazer passar por desentendido, eu puxo aqui algumas conversas que me surgem de dúvidas que me ficam dos encontros de catequese…
– Não penses que eu não tenho dado por isso, Carlos! Mas ainda bem que assim se passam as coisas, porque o importante é cada um de nós crescer em diversas dimensões, nomeadamente na dimensão espiritual da vida. Mas não te prendo mais, porque a tua filha deve continuar à tua espera para irdes apanhar o musgo para o presépio a montar em vossa casa.
– Então, fique com Deus, Tio Ambrósio!
– Que Ele te acompanhe sempre, Carlos!
– A todos nós e aos nossos familiares, conhecidos, amigos e mesmo inimigos, se os tivermos! Que Deus, quando dá, é para todos. Como diz a Sagrada Escritura, que é sempre o meu livro de referência, Ele manda o sol e a chuva sobre todos, justos e injustos…
– E agora, com esta seca agravada que se instalou entre nós, bem preciso é que Deus nos mande o precioso dom da chuva. As dádivas de Deus são sempre preciosas! Mas quando a necessidade é muita, as nossas preces devem ser maiores. Sabemos, como dizem os grandes santos, fundados no Evangelho, que não é por dizermos muitas palavras que Ele nos escuta melhor, pois sabe muito bem daquilo que nós precisamos muito antes de nós Lho pedirmos…
– Creio que foi Santo Agostinho que escreveu, numa célebre carta a uma matrona romana, de nome Proba, ali por volta do ano 411, que as palavras que empregamos na oração destinam-se não tanto a lembrar ao Senhor as nossas necessidades, mas a lembrarmo-nos a nós próprios e a estimularmos a nossa devoção. Se um dia vier a talho de foice, havemos de falar mais longamente das cinco cartas que o santo Bispo de Hipona escreveu a essa viúva cristã e a Juliana, sua familiar, que o haviam consultado sobre a forma de entender o trecho do capítulo 8 da Carta de São Paulo aos Romanos ao afirmar que é o Espirito Santo que vem em ajuda da nossa fraqueza, “pois não sabemos o que havemos de pedir em nossas orações”.
– Esse seria um bom tema para o Tio Ambrósio desenvolver numa das nossas catequeses de adultos. Embora não esteja programada, parece-me que, a propósito desta falta de chuva, uma palestra sobre o que devemos pedir e forma como devemos fazê-lo cairia como sopa no mel.
– Todos nós, os cristãos, temos necessidade de meditar sobre a oração, partindo do modelo que o próprio Jesus nos deixou ao ensinar-nos o Pai-Nosso. Aliás, posso dizer-te que Santo Agostinho, na carta que aqui referimos, chega a afirmar que não há nenhum pedido bom que não esteja incluído na oração que o Senhor nos ensinou. A título de exemplo, quando dizemos que nos dê o pão nosso de cada dia, estamos a desejar que nos envie a chuva, sem a qual os nossos campos não podem produzir o trigo, o milho, o arroz ou a cevada…
– E, no “pão de cada dia”, estão incluídas também as forragens para os nossos animais…
– Está incluído tudo o que é necessário para a nossa subsistência, Carlos! Que temos nós que não seja dádiva gratuita de Deus Nosso Senhor?
– Nesse caso, no próximo encontro do grupo de catequese, eu vou propor uma lição dada pelo Tio Ambrósio, para nos explicar o sentido mais profundo duma oração que nós rezamos todos os dias, mas quase sem nos darmos conta do que estamos a dizer…
– Estes tempos de maior frio não são os melhores para eu sair de casa. Mas, lá para Março, que já é altura de sementeiras, tenho todo o gosto em partilhar convosco alguns dos ensinamentos que vou colhendo na leitura de bons livros e na meditação mais aprofundada que vou fazendo sobre a Palavra de Deus. Até podemos escolher como título para a palestra: “O que tem o Pai Nosso a ver com a plantação da batata”.
– O Liberato diria que é um título bastante prosaico…
– Eu sei que não tem a elevação devida para gente piedosa, Carlos! No entanto, podemos tirar proveito da curiosidade das pessoas, que logo pensarão que orações e batatas não cabem no mesmo saco.
– E cabem, Tio Ambrósio?
– Claro que cabem, Carlos! Então qual é a base da nossa alimentação aqui no Cabeço? É a batata, a par das hortaliças, do milho e do centeio, que agora já cultivamos em escala muito reduzida…
– Para si, a castanha continua a ter alguma importância…
– Muita importância, Carlos! Por isso, quando eu peço ao Senhor que me conceda o pão de cada dia, estou a pensar também nos meus castanheiros, sobretudo neste de grande porte que tenho aqui ao lado de casa. Tenho ali no caniço duas arrobas de castanhas que, depois de piladas, me vão servir para fazer saborosas sopas, sobretudo nesta época de maior friagem.
– A minha Joana usa mais o feijão catarino…
– Também esse entra no saco da oração do Pai Nosso, Carlos!
– A propósito de sopa, o Tio Ambrósio não se esqueça que, na noite de Natal, a ceia é lá em nossa casa! A minha mais pequena já anda toda entusiasmada com a montagem do presépio. Até me pediu para ir um bocadito mais cedo para a acompanhar na apanha do musgo, que é sempre um dos materiais que usamos em maior escala. Depois, coberto com duas mãos de farinha, até dá a impressão de um campo ou de um monte cheio de neve…
– A nossa imaginação é fabulosa, Carlos! Olha que até a neve depende da chuva! E, pelos vistos, arriscamo-nos este ano a ter um Natal com muito gelo, mas sem a neve a encher de brancura os nossos telhados e os nossos caminhos…
– Mas não vai ser por isso que o Menino Jesus deixará de descer até nós, para habitar connosco, na nossa tenda…
– Muito apropriada essa expressão, Carlos! Bem se vê que as lições da catequese de adultos têm sido proveitosas para todos, até porque são ocasião para lerdes alguns textos significativos da Sagrada Escritura.
– Eu sempre aprendi muito nestas conversas que, todos os domingos, aqui mantenho com o Tio Ambrósio! Mas digo-lhe que uma coisa não tira a outra! Posso antes dizer que uma e outra se completam, até porque muitas vezes, assim como quem se quer fazer passar por desentendido, eu puxo aqui algumas conversas que me surgem de dúvidas que me ficam dos encontros de catequese…
– Não penses que eu não tenho dado por isso, Carlos! Mas ainda bem que assim se passam as coisas, porque o importante é cada um de nós crescer em diversas dimensões, nomeadamente na dimensão espiritual da vida. Mas não te prendo mais, porque a tua filha deve continuar à tua espera para irdes apanhar o musgo para o presépio a montar em vossa casa.
– Então, fique com Deus, Tio Ambrósio!
– Que Ele te acompanhe sempre, Carlos!
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