Eis os quatro jovens da nossa Diocese que são ordenados no próximo Domingo, dia 24 de Junho, às 16h00, na Sé Nova, por D. Virgílio Antunes, dos quais três já são diáconos e vão ser ordenados sacerdotes, e um vai ser ordenado diácono, a caminho do sacerdócio.
Na foto, da esquerda para a direita, temos:
— o Diác. Daniel Mendes, natural de Soure, que está a colaborar na Unidade Pastoral de Tábua e vai ser ordenado padre;
— o Diác. Francisco Prior Claro, natural de Ourentã (Cantanhede), que está a colaborar na paróquia de S. Cruz de Coimbra e vai ser ordenado padre;
— o Diác. Jorge Carvalho, natural de Assafarge, que está a colaborar na Unidade Pastoral Figueira-Rio (Figueira da Foz) e vai ser ordenado padre;
— e o seminarista-estagiário João Nuno Castelhano, natural do Seixo de Mira, que está a estagiar na Unidade Pastoral de Alvaiázere e vai ser ordenado diácono.
Demos graças a Deus e acompanhemo-los, também, com a nossa oração.
(leia mais na nossa edição em papel)
18/06/2018
03/06/2018
É outra música
Na música, as dissonâncias também têm lugar. E não estou a falar dos desvarios de certa música contemporânea! Mesmo na música mais “clássica” e harmoniosa, por vezes, há certas notas de passagem que causam uma dissonância transitória que é imediatamente resolvida. Não se trata de fazer dissonâncias de qualquer maneira: objectivo é criar uma certa tensão que, ao ser resolvida, tem um resultado harmonioso. Aquilo que, à primeira vista, parecia ser um desacerto tolo produz um efeito delicioso. Os bons músicos, que conhecem bem a arte da harmonia, jogam com essas dissonâncias que são imediatamente resolvidas para dar sabor à música. Também é assim na nossa vida e na nossa fé. As dúvidas e as dificuldades fazem parte do percurso normal, mesmo que seja amargas e “dissonantes” enquanto o “acorde” não se concerta. Desejaríamos, talvez, não ter dúvidas de fé… Mas ter dúvidas é natural, o que é preciso é dar-lhes a volta por cima. Embora a dúvida, em si mesma, seja um desacerto desconfortável, se for bem resolvida, no final a nossa fé torna-se mais forte, mais esclarecida, menos ingénua. Também com o sofrimento assim acontece. Na 2ª leitura de hoje, São Paulo diz palavras iluminadoras sobre esta nossa condição de cristãos na terra: somos oprimidos, mas não esmagados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados. Ou seja, Deus não nos livra do sofrimento, mas com a cruz de Cristo (que é a nossa glória!) o sofrimento ganha um sentido diferente. Deus é esse compositor genial que compôs a música que é a nossa vida, que também tem as suas “dissonâncias”. Cabe-nos a nós saber tocar essa música com arte e com alma. E tudo fará sentido no acorde final na vida eterna!
Padre Orlando Henriques
27/05/2018
Santíssima Trindade - nem podia ser de outra maneira!
Como entender o mistério da Santíssima Trindade? Um só Deus, mas três Pessoas! Três pessoas que não são três deuses, mas cada uma delas é Deus, e todas são Deus sem deixar de ser um único Deus! Parece confuso, mas tudo faz sentido se compreendermos que Deus é amor!
Faz sentido que Deus, Aquele que é o princípio de tudo, seja um só Deus, e não haja mais nenhum outro. Ele é o princípio de tudo, é o princípio sem princípio, por isso faz sentido que seja um só. Mas Aquele que criou esta “máquina” maravilhosa que é o universo e a colocou a trabalhar na perfeição como um relógio, não é apenas um “relojoeiro”: Ele é amor. Ora, o amor não é solitário: quem ama, ama alguém. Portanto, era necessário que houvesse alguém a quem Deus amasse desde o princípio.
Mas quem? Nem o ser humano nem criatura nenhuma existia desde o princípio: na eternidade sem começo, só Deus existia, porque só Ele é eterno. Além disso, não foi por necessidade de ter alguém a quem amar que Ele criou o ser humano (nem os anjos, nem nada do que existe); se nos criou foi porque quis, por dom amoroso totalmente gratuito, e não por necessidade.
Por isso, se Deus é amor, e se, desde a eternidade, não existia mais ninguém além de Deus, ninguém a quem Deus amasse, então é porque Deus tem de ser amor em Si mesmo, de forma absoluta (afinal, estamos a falar de Deus). Entendemos, então, que Deus seja, em Si mesmo, não uma Pessoa solitária, mas uma comunhão de três Pessoas, sem, no entanto, deixar de ser um só único Deus.
Podia parecer que não fazia sentido nenhum Deus ser três Pessoas e ser um só Deus; mas, se tivermos em conta que Deus é amor, percebemos que nem podia ser de outra maneira!
Nas nossas famílias, um pai é sempre mais velho do que o seu filho: o pai já existia antes de gerar o filho; no entanto, ele não existia enquanto pai, o pai só passa a ser pai a partir do momento em que há filho! O pai começa a existir “enquanto pai” ao mesmo tempo que o filho; ele já existia antes, mas não era pai.
Agora, imaginemos um pai que só existe enquanto pai… Alguém cuja essência fosse gerar, e que não pudesse existir senão enquanto gerador, ou seja, enquanto pai… É o que se passa na Santíssima Trindade: o Pai não existia antes do Filho, mas desde a eternidade sem começo (e até à eternidade sem fim) o Pai gera e o Filho é gerado; e o Espírito Santo é a união entre os dois. De tal modo que as três Pessoas divinas são igualmente eternas, da mesma “idade”. Só assim poderiam ser um só Deus.
O Espírito Santo é a união entre o Pai e o Filho, mas não é uma “união” abstracta: Ele é Pessoa! Ser pessoa não significa ter um corpo (como as pessoas humanas). Ser pessoa é: ser individual (é um, distingue-se dos outros); ter natureza racional; e viver em relação com outras pessoas. Atenção: o Espírito Santo não é nenhuma espécie de “mãe” na Santíssima Trindade!
Algumas imagens antigas pretendem representar a Santíssima Trindade: o Pai representado na figura de um venerável ancião de barbas (normalmente brancas), sentado num trono, a segurar a cruz onde está o Filho, e o Espírito Santo representado em figura de pomba, normalmente entre o Pai e o Filho… Porém, Deus é espírito, e o que é espírito não se pode ver, nem sequer tem uma figura que se possa representar.
Portanto, Deus Pai não é um velhinho de barbas brancas, como vemos nessas imagens. Essa é apenas uma forma que os artistas arranjaram para O poderem representar, mas a verdade é que Deus, pura e simplesmente, não tem figura nenhuma, pois é espírito. Não é por acaso que o Antigo Testamento proíbe fazer imagens de Deus: como Deus não tem figura que seja representável, qualquer imagem que se tentasse fazer d’Ele seria uma imagem errada, um ídolo. Por isso, as tais imagens da Santíssima Trindade são, normalmente, muito antigas: houve uma época em que se começaram a fazer, mas, depois, foram proibidas (ou, pelo menos, desaconselhadas), para evitar o engano em que podem induzir, ao representar O que é irrepresentável.
O Espírito Santo também não é uma pomba. Pode assumir essa figura para Se tornar visível, mas isso não quer dizer que seja essa a Sua figura. Quando é preciso, Ele torna-Se visível dessa maneira, mas também de outras, como línguas de fogo. O Espírito Santo nem é uma pomba nem é línguas de fogo: o facto de Ele aparecer tanto de uma forma como de outra, quer dizer, precisamente, que Ele não tem nem uma forma nem outra, mas apenas assumiu essas figuras quando foi necessário tornar-Se visível.
O mesmo não se pode dizer de Jesus Cristo: ao fazer-Se homem, encarnando no seio da Virgem Maria, Ele passa a ter uma figura visível (não tinha, mas passa a ter), pois é homem como nós, sem deixar de ser verdadeiro Deus. No tempo de Moisés, não era permitido fazer imagens de Deus porque Jesus ainda não tinha encarnado; mas a partir do momento em que Deus Se faz homem, passa a ter uma figura visível e já podemos representá-l’O, fazendo imagens de Jesus. No entanto, continuamos a não poder adorar essas imagens, pois são apenas imagens (só as veneramos; O que adoramos, isso sim, é o Santíssimo Sacramento, que não é apenas uma representação, mas é o próprio Jesus ali presente). Continuamos a não ter uma imagem de Deus Pai, mas Jesus, fazendo-Se homem e vindo até nós, torna-Se o rosto visível de Deus.
Faz sentido que Deus, Aquele que é o princípio de tudo, seja um só Deus, e não haja mais nenhum outro. Ele é o princípio de tudo, é o princípio sem princípio, por isso faz sentido que seja um só. Mas Aquele que criou esta “máquina” maravilhosa que é o universo e a colocou a trabalhar na perfeição como um relógio, não é apenas um “relojoeiro”: Ele é amor. Ora, o amor não é solitário: quem ama, ama alguém. Portanto, era necessário que houvesse alguém a quem Deus amasse desde o princípio.
Mas quem? Nem o ser humano nem criatura nenhuma existia desde o princípio: na eternidade sem começo, só Deus existia, porque só Ele é eterno. Além disso, não foi por necessidade de ter alguém a quem amar que Ele criou o ser humano (nem os anjos, nem nada do que existe); se nos criou foi porque quis, por dom amoroso totalmente gratuito, e não por necessidade.
Por isso, se Deus é amor, e se, desde a eternidade, não existia mais ninguém além de Deus, ninguém a quem Deus amasse, então é porque Deus tem de ser amor em Si mesmo, de forma absoluta (afinal, estamos a falar de Deus). Entendemos, então, que Deus seja, em Si mesmo, não uma Pessoa solitária, mas uma comunhão de três Pessoas, sem, no entanto, deixar de ser um só único Deus.
Podia parecer que não fazia sentido nenhum Deus ser três Pessoas e ser um só Deus; mas, se tivermos em conta que Deus é amor, percebemos que nem podia ser de outra maneira!
Nas nossas famílias, um pai é sempre mais velho do que o seu filho: o pai já existia antes de gerar o filho; no entanto, ele não existia enquanto pai, o pai só passa a ser pai a partir do momento em que há filho! O pai começa a existir “enquanto pai” ao mesmo tempo que o filho; ele já existia antes, mas não era pai.
Agora, imaginemos um pai que só existe enquanto pai… Alguém cuja essência fosse gerar, e que não pudesse existir senão enquanto gerador, ou seja, enquanto pai… É o que se passa na Santíssima Trindade: o Pai não existia antes do Filho, mas desde a eternidade sem começo (e até à eternidade sem fim) o Pai gera e o Filho é gerado; e o Espírito Santo é a união entre os dois. De tal modo que as três Pessoas divinas são igualmente eternas, da mesma “idade”. Só assim poderiam ser um só Deus.
O Espírito Santo é a união entre o Pai e o Filho, mas não é uma “união” abstracta: Ele é Pessoa! Ser pessoa não significa ter um corpo (como as pessoas humanas). Ser pessoa é: ser individual (é um, distingue-se dos outros); ter natureza racional; e viver em relação com outras pessoas. Atenção: o Espírito Santo não é nenhuma espécie de “mãe” na Santíssima Trindade!
Algumas imagens antigas pretendem representar a Santíssima Trindade: o Pai representado na figura de um venerável ancião de barbas (normalmente brancas), sentado num trono, a segurar a cruz onde está o Filho, e o Espírito Santo representado em figura de pomba, normalmente entre o Pai e o Filho… Porém, Deus é espírito, e o que é espírito não se pode ver, nem sequer tem uma figura que se possa representar.
Portanto, Deus Pai não é um velhinho de barbas brancas, como vemos nessas imagens. Essa é apenas uma forma que os artistas arranjaram para O poderem representar, mas a verdade é que Deus, pura e simplesmente, não tem figura nenhuma, pois é espírito. Não é por acaso que o Antigo Testamento proíbe fazer imagens de Deus: como Deus não tem figura que seja representável, qualquer imagem que se tentasse fazer d’Ele seria uma imagem errada, um ídolo. Por isso, as tais imagens da Santíssima Trindade são, normalmente, muito antigas: houve uma época em que se começaram a fazer, mas, depois, foram proibidas (ou, pelo menos, desaconselhadas), para evitar o engano em que podem induzir, ao representar O que é irrepresentável.
O Espírito Santo também não é uma pomba. Pode assumir essa figura para Se tornar visível, mas isso não quer dizer que seja essa a Sua figura. Quando é preciso, Ele torna-Se visível dessa maneira, mas também de outras, como línguas de fogo. O Espírito Santo nem é uma pomba nem é línguas de fogo: o facto de Ele aparecer tanto de uma forma como de outra, quer dizer, precisamente, que Ele não tem nem uma forma nem outra, mas apenas assumiu essas figuras quando foi necessário tornar-Se visível.
O mesmo não se pode dizer de Jesus Cristo: ao fazer-Se homem, encarnando no seio da Virgem Maria, Ele passa a ter uma figura visível (não tinha, mas passa a ter), pois é homem como nós, sem deixar de ser verdadeiro Deus. No tempo de Moisés, não era permitido fazer imagens de Deus porque Jesus ainda não tinha encarnado; mas a partir do momento em que Deus Se faz homem, passa a ter uma figura visível e já podemos representá-l’O, fazendo imagens de Jesus. No entanto, continuamos a não poder adorar essas imagens, pois são apenas imagens (só as veneramos; O que adoramos, isso sim, é o Santíssimo Sacramento, que não é apenas uma representação, mas é o próprio Jesus ali presente). Continuamos a não ter uma imagem de Deus Pai, mas Jesus, fazendo-Se homem e vindo até nós, torna-Se o rosto visível de Deus.
Padre Orlando Henriques
13/05/2018
A 13 de Maio...
Exactamente um ano depois do centenário das aparições de Fátima, vale a pena recordar (para viver!) a mensagem de penitência e oração (ou seja, de amor!) que Nossa Senhora nos trouxe e que não é mais do que uma actualização do Evangelho. 101 anos depois, a mensagem de Fátima não está velha: pelo contrário, ela é mais para os dias de hoje do que para 1917. Vejamos: só no ano 2000 é que foi revelada a terceira parte do “segredo de Fátima”. Portanto, se a mensagem só foi conhecida na totalidade há 18 anos, quer dizer que Fátima não é uma velharia do passado, mas uma profecia que se está hoje a concretizar. Na Sua Sabedoria, Deus semeou uma “semente” em 1917 que se tornou “árvore” ao longo do século XX, e hoje, mais do que nunca, estamos a colher os seus frutos. A mensagem de Fátima é mesmo para os nossos dias. Um dos pontos principais da mensagem é o terço diário: “rezem o terço todos os dias”, insiste Nossa Senhora em todas as aparições. Rezar o terço era uma prática mais usual naquele tempo do que hoje: já por aqui se vê que a mensagem de Fátima está muito mais actual para os dias de hoje do que para aquele tempo! Outro ponto essencial é a devoção ao Imaculado Coração de Maria, que se concretiza especialmente na devoção dos 5 primeiros sábados, que Nossa Senhora pediu: durante 5 meses seguidos, no primeiro sábado de cada mês, confessar-se, comungar, rezar o terço e meditar durante 15 minutos sobre os mistérios do rosário, tudo isto feito com a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria. O objectivo é claro: levar à conversão de vida, e à intimidade com Deus. Hoje é habitual muitos comungarem sem estarem preparados, sem se confessarem; e a oração de meditação também não faz parte dos hábitos diários de muita gente. Por isso, uma vez mais, vemos como a mensagem de Fátima é especialmente oportuna e urgente no nosso tempo.
Padre Orlando Henriques
05/05/2018
Diác. Francisco vence Prémio Rainha Santa
Francisco Martinho Elói Prior Claro é um diácono candidato ao sacerdócio da Diocese de Coimbra (actualmente a colaborar na paróquia de Santa Cruz de Coimbra) natural de Ourentã (Cantanhede), que completou neste ano lectivo o Mestrado em Teologia na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (centro regional do Porto) com 18 valores, sendo o melhor aluno a completar o curso de Teologia no Porto este ano. Isso faz dele o vencedor do Prémio Rainha Santa Isabel, um prémio instituído pela primeira vez este ano, por iniciativa da Ordem Terceira Franciscana, para distinguir, em cada ano, o melhor aluno a terminar o Mestrado em Teologia na Universidade Católica do Porto.
O Diác. Francisco está de parabéns e a vitória deste prémio (com o nome da padroeira de Coimbra) é uma honra para a nossa Diocese.
O Diác. Francisco está de parabéns e a vitória deste prémio (com o nome da padroeira de Coimbra) é uma honra para a nossa Diocese.
29/04/2018
AO CALOR DA FOGUEIRA (29-04-2018)
– Vamos ver se, logo no início do mês de Maio, passamos os nossos encontros para a sombra do seu castanheiro, Tio Ambrósio! A modos que estou a ficar saturado de chuvas e trovoadas…
– Qualquer dia estás a pedir a Deus que envie uns aguaceiros e umas noites mais frescas, Carlos! Somos todos assim, nunca estando satisfeitos com o que a natureza nos dá. Se está chuva, queremos sol; se está sol, queremos chuva. Neste assunto estou como o Quintino, que por aqui passou um dia destes para me convidar para o seu aniversário. Dizia-me ele que ainda bem que não somos nós a comandar o tempo que há-de fazer em cada dia. Se fora assim, a bulha entre todos e o desacordo das partes seriam muito maiores que o que por vezes enxergamos na nossa assembleia da república.
– Bem observado, Tio Ambrósio! Aquilo, de quando em quando, parece andar por lá o diabo à solta…
– E umas vezes o mafarrico veste calças e, logo no dia seguinte, já veste saias. É só para confundir o pessoal, Carlos!
– Ele é um artista para armar confusões, Tio Ambrósio! Parece-me mesmo que não há maior especialista em tentar baralhar o juízo dos cidadãos do que esse a que o povo apelida de “o tal amigo”…
– E que alguns dizem que nem sequer existe, Carlos! Tu acreditas na existência do Diabo?
– Acredito, e quase que até ia jurar que já o vi mais que uma vez!
– A sério, Carlos? Não digas isso muito alto, porque ainda te pode acontecer seres abordado por algum jornalista para lhe concederes uma entrevista em exclusivo sobre esses teus encontros e diálogos com o chefe dos demónios…
– Não vamos tão longe, Tio Ambrósio! Eu não disse que já entabulei conversa com ele, mas que me parece que já o devo ter visto por mais que uma vez.
– E não te disse nada, mesmo nada, Carlos?
– Não, porque eu não lhe dou autorização para isso! Quando me parece que é ele mesmo, ou disfarçado em figura de gente, eu faço logo o sinal da cruz, e sinto-me em paz. Porque ele gosta muito de armar confusões, de iludir as pessoas, de levar a juventude a pensar que só o dinheiro é que nos pode fazer felizes, e de nos acometer com outras ciladas mais ou menos encapotadas… mas com a Cruz não quer nada!
– Eu sempre ouvi dizer que alguns fogem do trabalho como o Diabo foge da Cruz! Será por essa razão, Carlos?
– Evidentemente, Tio Ambrósio! E olhe que, além do que lhe disse, eu estou convencido que, tal como ele se atreveu a tentar o próprio Jesus no deserto, hoje vai-nos tentando de todas as formas e feitios, a todos os dias e a todas as horas…
– Estás mesmo convencido disso?
– Claro! Até foi vossemecê que um dia me ensinou que o demónio “vagueia pelo mundo para a perdição das almas”. Certamente que o Tio Ambrósio ainda não mudou de ideias, sobretudo em matéria de doutrina.
– É verdade que não mudei, Carlos! Eu estava só a experimentar-te, para ver se és um homem de convicções firmes, ou se também és dos que se deixam ir na onda modernista que afirma a não existência do Demónio! Aliás, eu penso que essa de fazer pensar os homens e as mulheres que ele não existe, é precisamente uma das suas maiores tentações. Já o Papa Beato Paulo VI o afirmou numa das suas catequeses ao povo reunido na Praça de S. Pedro. De facto, se o pessoal se convencer que ele não existe, deixa-lhe caminho livre para actuar à sua vontade, para inventar mais um sem-número de disfarces, pois como tu disseste e muito bem, ele é um mestre exímio em se disfarçar das mais diversas formas e feitios. Antes de mais, tem uma lábia que só visto. Por vezes, e sabendo que por esse lado ninguém o ultrapassa, fico mesmo a pensar se ele não incarnará na pessoa de alguns deputados e deputadas, que têm resposta para tudo, que fazem as propostas mais estapafúrdias como se fossem coisa séria e honesta…
– Esse é um dos truques, Tio Ambrósio! O mafarrico gosta de passar por um cavalheiro sério, sempre bem-posto e bem relacionado…
– Cavalheiro ou cavalheira, Carlos! De resto eu não sei se não foi ele a inspirar essa de se apresentar para discussão e aprovação uma lei que permita que seja cada um a decidir, aí por volta dos dezasseis anos, se quer pertencer ao género masculino, ou se prefere ser feminino, para assim iludir ainda mais facilmente toda a sua clientela…
– Quando aparecem assim ideias estranhas, o povo costuma dizer que “uma dessas não lembrava sequer ao diabo”.
– Mas o que esqueceu ao tal amigo lembrou a alguns dos seus comparsas presentes na nossa assembleia de deputados, eles e elas. Eu não sei mesmo, se o povo não tomar uma atitude séria e firme, se estes fulanos não darão cabo dos princípios da nossa civilização ocidental, não ficando pedra sobre pedra do edifício que levou séculos a pôr de pé.
– Esse pode ser mesmo um dos objectivos do Diabo que anda por aí à solta, Tio Ambrósio! Eu não me admirava nada que o embusteiro entrasse com figura de gente no Parlamento para fazer crer que é um bem aquilo que não passa de uma estranha aberração. O Liberato até costuma dizer que é uma aberração execrável!
– Eu não gastaria muito do meu tempo a buscar adjectivos que qualifiquem aquilo que, em meu entender, é inqualificável, Carlos. Que não é coisa boa, não é! Podem doirar a pílula, para fazerem crer ao povo que estão a ser defendidas e garantidas as suas liberdades, mas a mim não me levam na cantiga…
– Outra coisa em que o chavelhudo é exímio, Tio Ambrósio! O qualificativo não é meu, mas do mestre Gil Vicente que, se cá viesse hoje, haveria de escrever pelo menos uma dúzia de peças teatrais, na tentativa de desmontar a farsa que os nossos deputados persistem em representar, com guião de um pequeno número deles, que estão em todas para parecerem muitos.
– Valha-nos Santo Ambrósio, Carlos!
– E santo Agostinho, e S. Gregório, e todos os santos da corte celeste!
– Qualquer dia estás a pedir a Deus que envie uns aguaceiros e umas noites mais frescas, Carlos! Somos todos assim, nunca estando satisfeitos com o que a natureza nos dá. Se está chuva, queremos sol; se está sol, queremos chuva. Neste assunto estou como o Quintino, que por aqui passou um dia destes para me convidar para o seu aniversário. Dizia-me ele que ainda bem que não somos nós a comandar o tempo que há-de fazer em cada dia. Se fora assim, a bulha entre todos e o desacordo das partes seriam muito maiores que o que por vezes enxergamos na nossa assembleia da república.
– Bem observado, Tio Ambrósio! Aquilo, de quando em quando, parece andar por lá o diabo à solta…
– E umas vezes o mafarrico veste calças e, logo no dia seguinte, já veste saias. É só para confundir o pessoal, Carlos!
– Ele é um artista para armar confusões, Tio Ambrósio! Parece-me mesmo que não há maior especialista em tentar baralhar o juízo dos cidadãos do que esse a que o povo apelida de “o tal amigo”…
– E que alguns dizem que nem sequer existe, Carlos! Tu acreditas na existência do Diabo?
– Acredito, e quase que até ia jurar que já o vi mais que uma vez!
– A sério, Carlos? Não digas isso muito alto, porque ainda te pode acontecer seres abordado por algum jornalista para lhe concederes uma entrevista em exclusivo sobre esses teus encontros e diálogos com o chefe dos demónios…
– Não vamos tão longe, Tio Ambrósio! Eu não disse que já entabulei conversa com ele, mas que me parece que já o devo ter visto por mais que uma vez.
– E não te disse nada, mesmo nada, Carlos?
– Não, porque eu não lhe dou autorização para isso! Quando me parece que é ele mesmo, ou disfarçado em figura de gente, eu faço logo o sinal da cruz, e sinto-me em paz. Porque ele gosta muito de armar confusões, de iludir as pessoas, de levar a juventude a pensar que só o dinheiro é que nos pode fazer felizes, e de nos acometer com outras ciladas mais ou menos encapotadas… mas com a Cruz não quer nada!
– Eu sempre ouvi dizer que alguns fogem do trabalho como o Diabo foge da Cruz! Será por essa razão, Carlos?
– Evidentemente, Tio Ambrósio! E olhe que, além do que lhe disse, eu estou convencido que, tal como ele se atreveu a tentar o próprio Jesus no deserto, hoje vai-nos tentando de todas as formas e feitios, a todos os dias e a todas as horas…
– Estás mesmo convencido disso?
– Claro! Até foi vossemecê que um dia me ensinou que o demónio “vagueia pelo mundo para a perdição das almas”. Certamente que o Tio Ambrósio ainda não mudou de ideias, sobretudo em matéria de doutrina.
– É verdade que não mudei, Carlos! Eu estava só a experimentar-te, para ver se és um homem de convicções firmes, ou se também és dos que se deixam ir na onda modernista que afirma a não existência do Demónio! Aliás, eu penso que essa de fazer pensar os homens e as mulheres que ele não existe, é precisamente uma das suas maiores tentações. Já o Papa Beato Paulo VI o afirmou numa das suas catequeses ao povo reunido na Praça de S. Pedro. De facto, se o pessoal se convencer que ele não existe, deixa-lhe caminho livre para actuar à sua vontade, para inventar mais um sem-número de disfarces, pois como tu disseste e muito bem, ele é um mestre exímio em se disfarçar das mais diversas formas e feitios. Antes de mais, tem uma lábia que só visto. Por vezes, e sabendo que por esse lado ninguém o ultrapassa, fico mesmo a pensar se ele não incarnará na pessoa de alguns deputados e deputadas, que têm resposta para tudo, que fazem as propostas mais estapafúrdias como se fossem coisa séria e honesta…
– Esse é um dos truques, Tio Ambrósio! O mafarrico gosta de passar por um cavalheiro sério, sempre bem-posto e bem relacionado…
– Cavalheiro ou cavalheira, Carlos! De resto eu não sei se não foi ele a inspirar essa de se apresentar para discussão e aprovação uma lei que permita que seja cada um a decidir, aí por volta dos dezasseis anos, se quer pertencer ao género masculino, ou se prefere ser feminino, para assim iludir ainda mais facilmente toda a sua clientela…
– Quando aparecem assim ideias estranhas, o povo costuma dizer que “uma dessas não lembrava sequer ao diabo”.
– Mas o que esqueceu ao tal amigo lembrou a alguns dos seus comparsas presentes na nossa assembleia de deputados, eles e elas. Eu não sei mesmo, se o povo não tomar uma atitude séria e firme, se estes fulanos não darão cabo dos princípios da nossa civilização ocidental, não ficando pedra sobre pedra do edifício que levou séculos a pôr de pé.
– Esse pode ser mesmo um dos objectivos do Diabo que anda por aí à solta, Tio Ambrósio! Eu não me admirava nada que o embusteiro entrasse com figura de gente no Parlamento para fazer crer que é um bem aquilo que não passa de uma estranha aberração. O Liberato até costuma dizer que é uma aberração execrável!
– Eu não gastaria muito do meu tempo a buscar adjectivos que qualifiquem aquilo que, em meu entender, é inqualificável, Carlos. Que não é coisa boa, não é! Podem doirar a pílula, para fazerem crer ao povo que estão a ser defendidas e garantidas as suas liberdades, mas a mim não me levam na cantiga…
– Outra coisa em que o chavelhudo é exímio, Tio Ambrósio! O qualificativo não é meu, mas do mestre Gil Vicente que, se cá viesse hoje, haveria de escrever pelo menos uma dúzia de peças teatrais, na tentativa de desmontar a farsa que os nossos deputados persistem em representar, com guião de um pequeno número deles, que estão em todas para parecerem muitos.
– Valha-nos Santo Ambrósio, Carlos!
– E santo Agostinho, e S. Gregório, e todos os santos da corte celeste!
22/04/2018
O rumo certo
A Semana das Vocações todos os anos é encerrada neste 4º Domingo do Tempo Pascal, “Domingo do Bom Pastor”. As vocações estão em crise neste mundo ocidental, mas florescem noutras latitudes. É que aqui as pessoas passaram a viver como se Deus não existisse. A crise das vocações não tem nada a ver com o celibato, mas sim com a crise da fé e das famílias. Há muitas pessoas que acham que o problema da falta de vocações se resolvia acabando com o celibato dos padres. É pura ilusão! Noutras confissões cristãs (protestantes, ortodoxos) em que os pastores se podem casar também há falta deles. Basta abrir os olhos e olhar para as nossas Missas dominicais: se há poucos jovens nas igrejas, como é que os há-de haver nos seminários? Só não vê quem não quer ver. As vocações sacerdotais não são as únicas vocações que existem: também há as vocações à vida religiosa e à vida consagrada de uma forma geral, vocações que são necessariamente celibatárias. Mesmo que o fim do celibato fosse solução para a falta de padres (que não é!), ficava, ainda, por resolver a falta de frades, freiras, leigos consagrados… Além disso, o matrimónio é também uma vocação e também ele está em crise! São cada vez menos os jovens que se casam: muitos optam por se casar apenas civilmente ou, simplesmente, juntarem-se e viverem maritalmente sem casar (já para não falar nos muitos casamentos que acabam por fracassar). A crise das vocações no matrimónio é tão grave como na vida consagrada. E ainda há quem ache que “havia mais padres se eles se pudessem casar” nesta sociedade em que os jovens já nem casar querem! Não, o problema é mais profundo: é defendendo a família e ajudando os jovens a caminhar na fé que se resolverá a crise de todas as vocações.
Padre Orlando Henriques
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